Nova pesquisa Datafolha aponta cenário de equilíbrio na corrida presidencial, com estratégias distintas para Lula e Flávio Bolsonaro.
A campanha presidencial entra em sua fase decisiva com dois movimentos de consolidação importantes. O candidato Lula (PT) demonstra resiliência diante da crise no STF, exibindo um crescimento na avaliação positiva de seu governo. Paralelamente, Flávio Bolsonaro (PL) vive sua melhor fase na disputa, com índices que superam seu desempenho anterior ao escândalo “Dark Horse”.
Este cenário de equilíbrio força os candidatos a focarem na neutralização de suas vulnerabilidades e na fidelização de seus eleitores. O reajuste do Bolsa Família surge como uma ferramenta estratégica para Lula, visando fortalecer sua base em grupos simpáticos ao petismo, enquanto Flávio Bolsonaro se apoia em seu eleitorado tradicional para se aproximar do rival.
Conforme informação divulgada pelo Datafolha, a pesquisa revela que, apesar das turbulências, Lula mantém uma base sólida. Por outro lado, Flávio Bolsonaro apresenta uma curva de crescimento notável, indicando uma recuperação após o episódio “Dark Horse”. A disputa segue acirrada, com ambos os candidatos buscando otimizar seus resultados nas semanas finais.
A ascensão de Flávio Bolsonaro após o escândalo “Dark Horse”
Uma das principais novidades desta etapa da eleição é a trajetória ascendente de Flávio Bolsonaro. Após o impacto negativo do escândalo “Dark Horse” em maio, o senador não apenas absorveu o abalo, como já alcançou índices de intenção de voto superiores em segmentos cruciais para o bolsonarismo. Seu desempenho, que havia caído para 31% no primeiro turno, agora se situa em 36%, seu melhor patamar até o momento.
O Sudeste, uma região estratégica, viu o senador subir de 32% para 37%. Na classe média, a recuperação foi ainda mais expressiva, saltando de 35% para 41%, ultrapassando o nível pré-escândalo. Entre o eleitorado evangélico, Flávio Bolsonaro atingiu 48%, demonstrando uma forte conexão.
Esses números sugerem que o episódio “Dark Horse” foi superado pela base eleitoral e que Flávio Bolsonaro ainda busca expandir seu alcance. A disputa com Lula se intensifica, e a capacidade de manter essa trajetória de crescimento será fundamental para o desfecho da eleição.
Lula busca reverter queda em bases históricas com Bolsa Família
O anúncio do reajuste do Bolsa Família, próximo ao primeiro turno, é visto menos como uma estratégia de expansão e mais como uma medida de contenção para Lula. Diante de uma disputa mais apertada, o presidente tenta recuperar terreno em segmentos que foram cruciais em eleições passadas e que possuem afinidade histórica com o PT.
Comparado ao mesmo período da campanha de 2022, o desempenho atual de Lula está aquém do esperado em regiões como o Nordeste, entre eleitores de baixa renda, com ensino fundamental incompleto e entre os próprios beneficiários do programa. No Nordeste, por exemplo, Lula está seis pontos percentuais abaixo do índice de setembro de 2022.
Entre os mais pobres, com renda inferior a dois salários mínimos, a diferença é de cinco pontos. Essa variação pode significar um déficit de quase 4 milhões de votos, um número considerável em uma eleição que promete ser decidida por margens pequenas. O investimento no Bolsa Família é uma aposta de Lula para retornar aos patamares de 2022.
Eleitores indecisos e a aposta no segundo turno
Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro apostam que, no momento da votação, muitos eleitores perceberão a disputa principal e anteciparão sua escolha, mesmo que hoje estejam inclinados a votar em candidatos de menor expressão. Esses candidatos menores somam 15% das intenções de voto, um bloco significativo que pode influenciar o cenário.
Um ponto crucial é que uma parcela considerável desses eleitores, 48%, afirma que pode mudar de voto até a eleição. Isso indica que uma fatia desses votos pode migrar para os favoritos já no primeiro turno. A questão central é para quem esses votos tenderiam a ir.
Em simulações de segundo turno, os eleitores desses candidatos menores demonstram uma afinidade maior com Flávio Bolsonaro (44%) do que com Lula (27%). No entanto, com os números atuais, a probabilidade de a eleição ser decidida no primeiro turno ainda é baixa, exigindo uma migração expressiva e concentrada em um único candidato, o que não é observado nos dados recentes.