Justiça Eleitoral autoriza oitiva de David Almeida em inquérito sobre compra de votos
A Polícia Federal (PF) recebeu sinal verde da Justiça Eleitoral para interrogar o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, no âmbito de uma investigação que apura uma suposta compra de votos durante a campanha de reeleição em 2024. O foco da apuração recai sobre a possível participação de pastores da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB) no esquema.
A decisão, assinada pelo juiz eleitoral Antônio Itamar de Souza Gonzaga, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), atende a uma consulta feita pelo delegado Eduardo Zózimo, responsável pela investigação. O depoimento de David Almeida é visto como **pertinente, útil e potencialmente esclarecedor** para a elucidação completa dos fatos.
O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio do promotor Jorge Alberto Gomes Damasceno, manifestou-se favoravelmente à oitiva, entendendo que não há impedimento relacionado ao foro privilegiado no caso. Segundo o promotor, os fatos investigados ocorreram enquanto David Almeida estava afastado do cargo de prefeito para concorrer à reeleição, situando o inquérito inteiramente no contexto da campanha eleitoral. As informações foram divulgadas pelo g1.
Inquérito avança com prorrogação de prazo
O inquérito policial segue em andamento e teve seu prazo de conclusão prorrogado por mais 90 dias. A Polícia Federal tem até o dia 7 de dezembro para finalizar as diligências. Autoridades envolvidas no processo ressaltam que, até o momento, **não há provas concretas do envolvimento direto de David Almeida** no caso, e que a autorização para ouvi-lo não configura uma sentença de culpa.
Em entrevista, David Almeida reiterou que a denúncia não representa uma condenação e que os próprios investigados ligados à igreja afirmam não ter vínculo com sua campanha. Ele acompanha a movimentação processual com serenidade, confiando nas instituições e colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários, reafirmando sua legitimidade como prefeito reeleito em 2024 pela vontade popular.
Relembre o caso: Denúncia e apreensão de dinheiro
A investigação teve início na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024, após a PF receber uma denúncia que indicava a orientação de pastores para que comparecessem a um imóvel no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. No local, policiais encontraram uma mochila e uma sacola com diversos envelopes contendo dinheiro.
Testemunhas informaram que os valores seriam distribuídos naquela manhã e que um montante de R$ 38 mil havia sido recebido para tal fim. Durante a operação, a PF apreendeu mais de R$ 21 mil em espécie e quatro celulares. Os relatos indicam que o dinheiro apreendido seria parte dos R$ 38 mil recebidos de pessoas ligadas à campanha de David Almeida.
Dois dirigentes da igreja, Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, foram presos em flagrante, mas pagaram fiança e respondem ao inquérito em liberdade. Um vídeo divulgado pelo g1 em março mostrou o pastor Flaviano Paes Negreiros afirmando que R$ 38 mil em dinheiro foram doados por uma pessoa ligada ao então prefeito.
Mensagens e áudios conectam genro de Almeida à investigação
Análises da Polícia Federal em celulares apreendidos identificaram trocas de mensagens e áudios entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro de David Almeida. O laudo pericial também descreve fotos que, segundo fontes, retratam César Marques, presidente do partido Agir no Amazonas, em reuniões políticas para pedir votos, ao lado de Gabriel Alexandre e dos pastores envolvidos.
Um documento no processo aponta, em tese, para uma estrutura organizada que mobilizou lideranças religiosas para o apoio eleitoral e a reeleição de David Almeida. No entanto, a PF enfatiza que **ainda não foram produzidos elementos diretos que demonstrem a participação pessoal de David Almeida** em reuniões, autorização de repasses, distribuição de valores ou tratativas investigadas.
A investigação busca esclarecer a atuação de Gabriel Alexandre na campanha, seu grau de autonomia junto a lideranças religiosas e comunitárias, e se David Almeida tinha conhecimento das negociações investigadas. A PF considera importante apurar esses pontos para a completa elucidação dos fatos, conforme relatado pela fonte.