PF mira deputado Adail Filho e prefeito de Coari em operação com apreensões milionárias
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Dinastia do Lago, com o objetivo de investigar suspeitas de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro na gestão municipal de Coari, no Amazonas. A ação resultou na apreensão de quase R$ 1 milhão em espécie, além de dólares, euros, 21 veículos e objetos de luxo.
Os principais alvos da operação são o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), e seu filho, o deputado federal Adail Filho (MDB). Adail Pinheiro foi afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e secretários municipais também foram afastados.
Adail Filho foi alvo de busca e apreensão, mas segue no exercício de seu mandato na Câmara dos Deputados. A defesa dos investigados declarou surpresa com a operação e afirmou que medidas cabíveis serão tomadas após acesso ao conteúdo das investigações. Conforme informação divulgada pelo G1, a defesa ressalta que o cumprimento dos mandados não configura culpa e que os investigados confiam no esclarecimento dos fatos.
Milhões em espécie e bens de luxo apreendidos pela PF
Durante a operação, a PF apreendeu cerca de R$ 990 mil em espécie, além de US$ 10 mil e € 1.255. Em Manaus, foram encontrados R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255, acompanhados de 11 veículos. Já em Coari, a polícia localizou R$ 637.750 e outros 10 veículos. Imagens divulgadas pela corporação também revelam a apreensão de objetos de luxo, como relógios e joias, cujos valores ainda não foram estimados.
Como começou a investigação contra Adail Filho e Adail Pinheiro
A Operação Dinastia do Lago é um desdobramento de um inquérito iniciado no STF para apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Adail Filho. A investigação teve início em maio de 2025, após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília. Eles transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, sem apresentar comprovação de origem.
Análises posteriores de documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos revelaram movimentações financeiras suspeitas e possíveis ligações com contratos da Prefeitura de Coari. A investigação aponta para o direcionamento de licitações e o desvio de recursos públicos, com movimentações financeiras destinadas a pagamento de vantagens indevidas e ocultação de valores.
Repasses financeiros e emendas parlamentares sob suspeita
De acordo com o despacho do ministro Alexandre de Moraes, documentos e dispositivos apreendidos indicaram a realização de repasses financeiros por empresas ligadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de seu pai, o prefeito Adail Pinheiro. O caso também envolve repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
A investigação apura a possível prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato. O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito no STF a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), e o caso foi encaminhado à Polícia Federal para continuidade das apurações.