Aliados de Lula e Flávio Bolsonaro analisam cenário eleitoral após crise no STF e caso Master
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) revela um cenário eleitoral acirrado, com aliados do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) avaliando os impactos da recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e de novas informações sobre o caso Master.
Enquanto bolsonaristas demonstram otimismo com um possível crescimento de Flávio Bolsonaro, petistas apostam na fragilização da candidatura do senador, explorando sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A pesquisa, realizada entre terça (8) e quinta (10), aponta Flávio Bolsonaro com 35% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Lula. No segundo turno, o cenário é de empate técnico, com 46% para Lula e 44% para Flávio. Conforme informação divulgada pelo Datafolha, o levantamento foi realizado entre terça (8) e quinta (10).
Bolsonaristas veem oportunidade de crescimento com a instabilidade no STF
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro expressam confiança na vitória, inclusive no primeiro turno, acreditando que o desgaste enfrentado pelos ministros do STF pode afetar negativamente o desempenho de Lula. Um membro da campanha de Flávio afirma que o eleitor está buscando uma mudança generalizada e vê no senador essa oportunidade.
Flávio Bolsonaro tem associado Lula ao ministro Alexandre de Moraes em seus discursos, buscando atingir o petista com as revelações de mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro. A campanha do senador minimiza a troca de mensagens e a investigação formal no STF sobre o repasse milionário ao filme “Dark Horse”, vendo pouco efeito eleitoral nesse fato.
A expectativa é que Flávio se beneficie de um voto útil antes do primeiro turno, com a migração de votos de candidatos de centro-direita. Deputados bolsonaristas, como Evair de Melo (PP-ES), afirmam que Flávio sairá fortalecido com a divulgação de todos os documentos relacionados ao caso Master, pois “não tem o que temer” e “transparência é nossa bandeira”.
Petistas apostam na fragilização de Flávio Bolsonaro com novas provas
Auxiliares do presidente Lula apostam na fragilização da candidatura de Flávio Bolsonaro, com a expectativa de que novas provas sobre sua relação com Daniel Vorcaro venham à tona. Petistas pretendem explorar o fato de Flávio ter se tornado alvo de inquérito por determinação do ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.
A campanha de Lula já pedia a abertura do sigilo do caso “Dark Horse” e agora busca reforçar manifestações que destaquem os vínculos do rival com as fraudes de Daniel Vorcaro. Publicamente, aliados do petista usaram a decisão de Fachin para enfatizar a presença de Flávio nas investigações da Polícia Federal.
O próprio presidente Lula afirmou em entrevista ao SBT que deseja a quebra de sigilo para todos os envolvidos. Nesta sexta (11), o perfil do presidente nas redes sociais publicou uma mensagem de propaganda eleitoral com a frase “Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme”.
Divisões internas e cautela na campanha de Lula sobre o impacto das revelações
Aliados petistas se dividem sobre o impacto que a quebra de sigilo pode causar nas eleições. Um dos argumentos é a desconfiança na disposição de André Mendonça em investigar a atuação de Flávio no escândalo Master, uma vez que não houve operação de busca e apreensão contra o senador. “Esse é um tipo de revelação que deve gerar efeito nas intenções de voto, pois desmascara a hipocrisia entre a realidade concreta dos fatos e o que era dito na propaganda e discurso eleitoral”, afirma Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT.
Alguns petistas alertam para o risco de comemorar a abertura de inquérito sem investigações concretas. Um inquérito que não apresente provas contra Flávio poderá, paradoxalmente, pesar a favor de sua candidatura. Um interlocutor de Lula, em condição de anonimato, lembra que o senador se manteve competitivo mesmo após a revelação de uma conversa em que pede milhões a Vorcaro.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, considera improvável que os novos fatos tenham mais peso do que o que já se sabe, afirmando: “Nada pode ser mais grave que um candidato a presidente da República, senador, pedir mais R$ 100 milhões para um banqueiro que quebrou um banco e prejudicou milhares de brasileiros”. Ele complementa, “Nosso trunfo é o nosso candidato. De um lado temos um estadista, do outro tem um miliciano”.
Caso Master: Flávio Bolsonaro era interlocutor direto na captação de recursos
Documentos que tiveram o sigilo retirado pelo STF nesta sexta apontam que Flávio Bolsonaro era o interlocutor direto de Daniel Vorcaro na captação de dinheiro para o filme “Dark Horse”, com Eduardo Bolsonaro atuando como gestor. O candidato do PL se recusa a prestar contas sobre o repasse, resumindo a prestação de contas a uma perícia privada da produtora.
A campanha tem se recusado a mostrar o contrato com o Master, a planilha de gastos ou mesmo os demais investidores. Durante agenda em Manaus nesta sexta, Flávio Bolsonaro declarou que o assunto é requentado e está sendo usado como cortina de fumaça no momento em que ele começa a aparecer empatado com Lula em pesquisas de intenção de voto.
Ministros como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e José Guimarães (Relações Institucionais) cobraram explicações sobre os gastos com o filme “Dark Horse” e o destino do dinheiro, questionando se houve contrapartida ou desvio. A equipe de campanha do presidente Lula tem como diretriz reforçar manifestações que destaquem os vínculos do rival com as fraudes de Daniel Vorcaro.