Lula critica Trump e oposição em ato no Piauí
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um ato de campanha realizado em Teresina, no Piauí. Lula afirmou categoricamente que Trump deve “se meter no país dele”, pois as eleições brasileiras são um problema dos brasileiros.
A declaração reforça a posição do presidente em defesa da soberania nacional e contra qualquer tipo de interferência externa no processo eleitoral do Brasil. Lula já havia expressado essa preocupação em outras ocasiões, inclusive após encontros com Trump.
Durante o evento, Lula também dirigiu críticas a brasileiros que, segundo ele, apoiam a interferência americana, chamando-os de “vira-latas” e “traidores da pátria”. Essas declarações, segundo informações divulgadas pela imprensa, foram direcionadas à oposição, que tem utilizado a bandeira americana em manifestações.
Interferência externa e soberania nacional
Em seu discurso, Lula enfatizou que os Estados Unidos não devem influenciar as eleições brasileiras. “Que não venham os americanos influir nas nossas eleições. A gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, os americanos e quem mais se meter”, declarou o presidente.
Esta não é a primeira vez que Lula aborda o tema. Em junho, após participar da cúpula do G7, onde se encontrou com Trump, o petista já havia dito que o americano não deveria “se meter nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”.
Em agosto, em entrevista, Lula reiterou seu desejo de conversar com Trump para alertá-lo a “não se meter com os negócios do Brasil”. Recentemente, em 21 de agosto, os dois líderes conversaram por telefone, tratando de tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros.
Críticas à oposição e apoio a candidatos locais
No evento no Piauí, Lula também criticou os brasileiros que “vão para comício com a bandeira americana”. Ele os classificou como “vira-latas, traidores da pátria e que não têm nenhum compromisso com esse país”, em uma clara referência à oposição.
O presidente endossou a candidatura do deputado Júlio César (PSD) ao Senado. Ao se referir a um possível adversário, que parece ser o senador Ciro Nogueira (PP-PI), Lula declarou: “Eu não tenho outro candidato ao Senado, a gente não aceita vira-lata do nosso lado”. Ciro Nogueira é presidente do Progressistas, partido que declarou neutralidade nas eleições presidenciais.
Piauí: Reduto lulista e cenário eleitoral
O Piauí é historicamente um estado onde Lula tem forte apoio popular. Em 2022, o petista obteve 76,86% dos votos válidos no estado, contra 23,14% de Bolsonaro.
Pesquisas recentes indicam a continuidade desse cenário. Um levantamento da AtlasIntel/MeioNorte, divulgado em 3 de setembro, mostra Lula com 68,3% das intenções de voto para o segundo turno presidencial, contra 24,4% de Flávio Bolsonaro.
Para o governo estadual, a mesma pesquisa aponta Rafael Fonteles (PT) com 62,4% das intenções de voto, vencendo no primeiro turno. No Senado, Marcelo Castro lidera as intenções de voto para uma das vagas, enquanto Júlio César e Ciro Nogueira disputam a segunda vaga, com 17,2% e 13,3% das intenções, respectivamente.