Mendonça Afasta Diretor da PF Andrei Rodrigues e Diretor de Inteligência em Meio a Crise com Moraes
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão, tomada nesta terça-feira (8), também inclui o afastamento preventivo do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A medida surge em meio a uma escalada de tensões entre os ministros do STF, com o próprio Mendonça sendo alvo de um pedido de investigação por parte de Alexandre de Moraes. O cerne da questão reside na produção de um relatório interno da PF.
Este relatório, segundo a decisão de Mendonça, foi utilizado por Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra o ministro por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, no contexto do caso Banco Master e INSS. A notícia foi divulgada pelo portal G1.
O Relatório Que Desencadeou o Afastamento
A decisão de Mendonça descreve o material produzido pela Polícia Federal como “surreal” e “inimaginável”. O ministro do STF ironizou o teor do documento, que, segundo ele, revelou que não apenas ele, mas também o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, foram alvo de monitoramento pela PF.
Mendonça classificou a produção desses “relatórios de inteligência” como de “superlativa gravidade e ilicitude”. Ele argumentou que a medida é necessária para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo “vilipendiadas”.
A Escalada da Crise Institucional no STF
O afastamento de Andrei Rodrigues ocorre em um momento de intensa crise institucional entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, considerados os dois pivôs do conflito. O estopim foram mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, nas quais o empresário solicitava informações sobre investigações contra si e cogitava fugir do país.
O relatório que embasou o pedido de investigação contra Moraes foi produzido pela PF, mas a pedido de Mendonça. O material também menciona a atuação de Andrei Rodrigues e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em contrapartida, Moraes utilizou um documento da PF, classificado como “sem valor probatório”, para pedir a investigação de Mendonça.
Monitoramento e Comparações com “1984”
Na sua decisão, Mendonça ressaltou o “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”, enfatizando a gravidade da situação. O documento apócrifo, segundo o ministro, mencionou a aprovação de medidas de “monitoramento e coleta dirigida” contra ele e Jorge Messias, alegando proximidade entre ambos por frequentarem as mesmas igrejas.
A PF, de acordo com Mendonça, chegou a sugerir que essa relação poderia prejudicar os interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que seu filho é alvo de apurações sobre fraudes no INSS. Mendonça comparou o cenário ao livro “1984”, de George Orwell, criticando a vigilância ostensiva.
Decisão na Segunda Turma do STF
A decisão de Mendonça foi enviada para a Segunda Turma do STF. Embora o ministro Gilmar Mendes tenha pedido vista do processo, Luiz Fux e Nunes Marques já anteciparam seus votos, formando maioria pelo afastamento de Andrei Rodrigues. O próprio Andrei Rodrigues recebeu a notícia antes de discursar em um evento da PF em Brasília.