Grito dos Excluídos em Manaus: Feira, Debates e Lutas por Terra, Paz e Moradia Mobilizam o INPA
A 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas tomou conta do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, nesta segunda-feira (7), promovendo um dia intenso de feira, debates e manifestações culturais. O evento, organizado pela Arquidiocese de Manaus através das Pastorais Sociais, buscou dar voz às demandas de populações em situação de vulnerabilidade.
Com o tema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia – Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, a programação abordou temas cruciais como moradia, direitos das mulheres, proteção ambiental e soberania. A iniciativa visa fortalecer discussões sobre direitos humanos e combater a violência, especialmente contra as mulheres.
Durante todo o dia, o público teve a oportunidade de conhecer de perto o trabalho de diversas pastorais, movimentos e organizações sociais. A Feira da Economia Popular, com artesanato, comidas regionais e produtos locais, foi um dos pontos altos, evidenciando a riqueza cultural e a força econômica das comunidades.
Debates Aprofundam Questões Sociais e Ambientais
As tendas temáticas do Grito dos Excluídos foram palcos de importantes rodas de conversa e debates. Temas como o direito à cidade e à moradia digna, os direitos das mulheres e a defesa do meio ambiente, com foco na proteção da “Casa Comum”, foram amplamente discutidos. A programação também deu espaço para homenagear “Lutadores e lutadoras do povo”.
Um dos momentos mais tocantes foi o debate sobre a violência contra as mulheres e os casos de feminicídio. A mãe de Camila Vitória Fritz, vítima de feminicídio há quase três anos, compartilhou sua dor e a luta por justiça, ressaltando a importância de espaços como o Grito dos Excluídos para dar visibilidade a situações de violência que muitas vezes permanecem ocultas.
“Violência é a partir de falas, de gritos, de baixo calões. Isso também é violência. A partir também da falta de alimentação em sua casa, isso também é violência”, afirmou, destacando as diversas formas de agressão que afetam as mulheres. A fala reforça a necessidade de conscientização e ação contínua.
Pastorais Sociais Apresentam seu Trabalho e Conquistas
Guadalupe Pérez, coordenadora das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus, ressaltou que o evento é uma oportunidade valiosa para apresentar à população o trabalho incansável desenvolvido pelos movimentos e pastorais. “O objetivo dessa mostra, dessa convivência, é mostrar para as pessoas o que fazem as pastorais sociais, os movimentos, os nossos organismos”, explicou.
A iniciativa busca não apenas dar visibilidade às lutas, mas também fortalecer a rede de apoio e colaboração entre as diversas entidades que atuam em defesa dos direitos humanos e sociais na região. A integração entre os participantes foi evidente ao longo do dia.
Cultura, Manifestações e Encerramento com Caminhada
A programação cultural do Grito dos Excluídos enriqueceu o evento com apresentações artísticas e manifestações populares, celebrando as lutas e resistências. A diversidade de expressões culturais refletiu a pluralidade e a força dos movimentos sociais presentes.
O encerramento do Grito dos Excluídos contou com uma Missa Amazônica, seguida por uma caminhada que partiu do INPA em direção à região da Bola do Coroado. O ato público final celebrou as pautas defendidas e a organização popular, reforçando o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e solidária.