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Política

Jones Manoel: Esquerda ‘cringe’ e atrasada nas redes sociais, domina debate com Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro

Jones Manoel: Esquerda ‘cringe’ e atrasada nas redes sociais, domina debate com Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro

Jones Manoel aponta falhas na comunicação digital da esquerda e critica a falta de propostas para a juventude

O historiador Jones Manoel, pré-candidato a deputado federal em Pernambuco, fez um diagnóstico contundente sobre a comunicação digital da esquerda brasileira. Segundo ele, a esquerda chegou atrasada nas redes sociais e, ao tentar dialogar com a juventude, acaba soando “cringe”, ou seja, fora de sintonia e constrangedora.

Manoel, que possui um dos canais de YouTube de esquerda com maior audiência, destacou que o problema vai além da comunicação digital, atingindo a própria mensagem política. Em entrevista ao podcast “A Máquina”, ele ressaltou que a esquerda “oferece poucas alternativas de futuro”, focando excessivamente em discursos do passado.

“A maioria dos progressistas diz: ‘estamos no menor desemprego da história.’ Ou seja, o progressista está dizendo que a pessoa passar 12 horas numa bicicleta entregando iFood é emprego e tudo bem”, criticou Jones Manoel, conforme informações divulgadas. Essa análise, segundo o historiador, revela uma desconexão com as reais aspirações e dificuldades da juventude e dos trabalhadores.

Por que a direita domina as redes sociais?

Jones Manoel aponta três fatores principais para o sucesso da direita e extrema direita nas redes sociais. O primeiro é a influência das big techs, que, segundo ele, possuem um lado político explícito e utilizam algoritmos para privilegiar conteúdos de extrema direita, citando reportagens do The New York Times e pesquisas acadêmicas.

O segundo fator é o atraso da esquerda. A direita e a extrema direita ingressaram nas redes sociais mais cedo, enquanto partidos e movimentos sociais ainda demonstram resistência à comunicação digital. “Até hoje os partidos políticos, os movimentos sociais, têm uma resistência à comunicação digital. A esquerda demorou e, quando entrou, não foi de maneira substantiva”, afirmou Manoel.

O terceiro elemento é a universalização da internet no Brasil. No momento em que a internet se popularizou, o PT estava no poder há muito tempo, o que acabou associando o partido ao “establishment”. Isso, de acordo com o historiador, criou um ecossistema favorável a discursos anti-sistema.

A estrutura partidária e a descentralização da internet

Manoel também criticou a estrutura dos partidos políticos brasileiros, frequentemente controlada por linhagens familistas. Ele argumenta que a natureza descentralizadora da internet é “problemática para quem controla estruturas partidárias e quer manter esse controle”.

Ele citou seu próprio exemplo: “Eu, filho de uma empregada doméstica e de um pedreiro, que não tinha tradição política nenhuma, começo a minha militância política 15 anos atrás.” Ao criar seu canal no YouTube e ganhar projeção sem a “bênção de nenhum cacique partidário”, Manoel exemplificou como a internet permite que vozes fora do sistema tradicional ganhem relevância.

A comunicação “cringe” da esquerda e a falta de propostas

O historiador detalhou os problemas da estratégia de comunicação da esquerda, destacando a dificuldade em dialogar com a juventude. “Quando tenta, faz o que os jovens chamam de cringe. É a comunicação que tenta parecer descolada, ágil, mas acaba não dando certo”, explicou.

Ele criticou tentativas como a do vice-presidente Geraldo Alckmin de melhorar sua imagem com “meias coloridas”, classificando a ação como “artificial”. Para Manoel, falta envolver jovens que estudam comunicação para desenvolver estratégias concretas.

Em contrapartida, citou como exemplos de sucesso na comunicação de esquerda Erika Hilton e Sâmia Bomfim, destacando a capacidade de Hilton em criar um “ecossistema de apoiadores engajados”.

Os mestres da comunicação da direita

Jones Manoel elogiou a comunicação de figuras da direita. Nikolas Ferreira é apontado como “o futuro da extrema direita brasileira” e um mestre em pautar o debate, desviando de temas negativos com “pautas aleatórias”.

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Manoel também destacou Michelle Bolsonaro, considerando um vídeo dela contra uma aliança política como uma “peça de comunicação dez do ponto de vista semiótico”.

A falta de perspectiva para a juventude

O historiador abordou a falta de perspectivas para a juventude brasileira. Ele relatou sua própria experiência e a de amigos: “Eu tenho 36 anos, não tenho casa própria. Meus amigos também não. Eu não tenho carro, meus amigos também não.” A expectativa de ter um bom emprego e estabilidade financeira após a formação superior, comum em sua geração, não se concretizou.

“A possibilidade de um jovem hoje ter estabilidade financeira é cada vez menor. E a mensagem da esquerda hoje é muito voltada para o passado, oferece poucas alternativas de futuro”, disse. Ele criticou a visão progressista de que o baixo desemprego atual, com trabalhos precários como entregador de aplicativo, é um sinal positivo.

A radicalização da extrema direita e as propostas para o futuro

Jones Manoel explicou que a extrema direita capitaliza sobre a precariedade do emprego, oferecendo uma mensagem de futuro, mesmo que equivocada. “Eles pegam essa economia capitalista que só gera emprego precário e radicalizam”, afirmou.

A proposta da extrema direita, segundo ele, é radicalizar o neoliberalismo com privatizações e desregulamentação, o que, para o trabalhador precarizado, pode soar como uma solução, ao menos imediata. “Se eu vou ser entregador de iFood pelos próximos dez anos, vamos acabar com o Detran, porque pelo menos não levo multa, dirijo como eu quiser”, exemplificou a lógica.

O exemplo americano e as demandas da classe trabalhadora

Comparando com os Estados Unidos, onde socialistas democrata têm avançado, Manoel aponta que no Brasil essa “ultraesquerda ainda é um nicho”. Ele citou o exemplo de Zohran Mamdani, que soube unir propostas radicais para o contexto americano, como creche pública e controle de aluguéis, com demandas universais da classe trabalhadora.

No Brasil, segundo ele, o discurso central da esquerda muitas vezes ignora as demandas imediatas da classe trabalhadora, focando em estatizações genéricas. “Ninguém perguntou à classe trabalhadora se a principal demanda é sair estatizando tudo”, questionou.

Ele defende propostas com “amplo apelo nas ruas”, como uma lei de teto de juros, que, embora não sejam “revolucionárias”, podem conquistar famílias trabalhadoras ao oferecer “uma alternativa imediata”.

Avaliação do governo Lula e planos futuros

Jones Manoel considera o atual mandato do presidente Lula um mérito por não ser “fascista” ou “de extrema direita”. Ele anunciou que votará em Lula por ser o candidato mais competitivo contra Flávio Bolsonaro.

Contudo, lamentou que a esquerda não tenha “forjado um candidato competitivo com boa capacidade de comunicação para ter uma candidatura presidencial marxista”. Ele expressou a esperança de que isso ocorra em 2030, “e espero que seja eu”.

O historiador também manifestou o desejo de debater com Nikolas Ferreira, a quem considera “o futuro da extrema direita brasileira”, e com Fernando Haddad, no campo de centro, para “mostrar para a população a diferença de uma proposta comunista e a uma progressista”.

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