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Amazonas

Seca no AM: Donos de flutuantes no Tarumã criam planos de emergência e se preparam para o pior, “É o rio quem determina quando precisamos parar”

Seca no AM: Donos de flutuantes no Tarumã criam planos de emergência e se preparam para o pior, “É o rio quem determina quando precisamos parar”

Seca no Amazonas: Flutuantes do Tarumã se preparam para paralisação e buscam alternativas criativas

A iminente estiagem no Amazonas, com pico previsto para setembro e outubro, já acende o sinal de alerta para os proprietários de estabelecimentos flutuantes no Rio Tarumã, afluente do Rio Negro, em Manaus. A queda acentuada do nível dos rios e a previsão de uma vazante mais intensa obrigam empresários a adotar estratégias extremas para tentar manter seus negócios funcionando e minimizar os impactos da seca.

Nesta terça-feira (26), o Rio Negro registrou 24,93 metros no Porto de Manaus, uma redução de 14 centímetros em relação ao dia anterior. Essa diminuição constante impulsiona a busca por soluções criativas e, por vezes, dolorosas para a continuidade das operações.

Enquanto alguns planejam adaptar suas atividades para áreas de praia e cogitam férias coletivas e demissões, outros avaliam a possibilidade de mover os flutuantes para acompanhar o recuo da água. A realidade é que, em muitos casos, o rio dita o ritmo das atividades, forçando os empresários a tomarem decisões difíceis. Conforme informação divulgada pelo g1, a situação já preocupa diversos empreendedores locais.

Estratégias de Sobrevivência: De Praias a Férias Coletivas

O flutuante Abaré, que opera como restaurante, hostel e palco para eventos de música eletrônica, enfrenta a possibilidade de paralisação total caso o Rio Negro atinja a marca de 17 metros. Segundo o proprietário, Diogo de Vasconcelos, a estratégia emergencial é transferir parte das operações para a área de praia adjacente.

“Se o El Niño vier como está previsto, nós vamos paralisar totalmente nossas atividades no flutuante e estamos nos planejando para fazer algumas atividades na nossa área de praia”, explicou Vasconcelos. A medida também envolve a programação de férias coletivas e demissões, com uma equipe reduzida mantendo serviços de bar, restaurante e lazer na estrutura adaptada.

A queda no nível da água também exige adaptações estruturais. Equipamentos sensíveis, como estações de tratamento, precisam ser desativados para evitar danos à medida que o rio baixa. “Quando o flutuante começa a ficar mais raso, a gente precisa desativar as estações de tratamento para não danificar. Sem as estações de tratamento não faz sentido continuar trabalhando”, ressaltou o empresário.

Impacto Social e o Assoreamento do Tarumã

Diogo de Vasconcelos destaca o profundo impacto social da estiagem, afetando diretamente os trabalhadores que vivem e dependem do movimento do Rio Tarumã. “O maior impacto é nas pessoas, não é o econômico, mas o psicológico, de pessoas que trabalham e moram no Tarumã”, afirmou.

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O assoreamento do Rio Tarumã tem agravado a situação nos últimos anos, tornando o rio mais raso e antecipando a necessidade de interrupção das atividades. Vasconcelos comparou a situação atual com 2015, quando o funcionamento foi mantido mesmo com o Rio Negro a 15,60 metros. “Desde 2023, o Rio Tarumã está assoreado, está mais raso, o que impediu a gente de trabalhar por mais tempo. Então, na marca de 17 metros do Rio Negro, a gente paralisa nossas atividades no flutuante”, detalhou.

Procura Persiste, Mas Segurança é Prioridade

Para Nádia Ferreira, proprietária do flutuante Odara, a seca não necessariamente significa uma queda na procura por eventos privados. O calor, inclusive, pode aumentar o interesse. No entanto, o baixo nível do rio impõe limites de segurança e viabilidade.

“A procura não cai. As pessoas continuam procurando bastante, principalmente por causa do calor. O que acontece é que, a partir da segunda quinzena de setembro, dependendo de como estiver a vazante, chega um momento em que a gente não consegue mais alugar o flutuante porque o uso fica inviável”, explicou Ferreira.

As reservas são mantidas, mas com o aviso de possíveis cancelamentos caso o nível da água comprometa a segurança. Uma alternativa é a remoção do flutuante para áreas mais profundas. Nádia enfatiza que a decisão de parar não se baseia apenas na cota oficial do Rio Negro, mas na profundidade exata onde a estrutura está ancorada.

Segurança Reforçada e a Cadeia Produtiva Afetada

Além do aspecto financeiro, a segurança dos imóveis durante a estiagem é uma grande preocupação. Com menos movimento e flutuantes fechados, o risco de furtos aumenta. Por isso, proprietários reforçam amarrações, ajustam estruturas e retiram equipamentos de valor antes da chegada do período mais crítico.

A seca também exige atenção ao posicionamento das estruturas, pois flutuantes sobre áreas irregulares ou perto de barrancos podem inclinar e sofrer danos. Nádia Ferreira também aponta para o impacto em toda a cadeia produtiva: “Existe toda uma cadeia de pessoas que vive do rio e do movimento dos flutuantes. Na seca, praticamente tudo isso desaparece. Como não tem cliente, não tem limpeza, não tem roupa para lavar, não tem coleta de lixo”, lamentou.

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