Professor atacado em sala de aula em Manaus detalha momentos de pânico e recuperação
O professor Vinícius Siqueira, de 23 anos, prestou depoimento na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI), em Manaus, sobre a brutal agressão que sofreu dentro de uma sala de aula no dia 26 de agosto. O jovem docente foi atacado por um adolescente e levou nove facadas, um episódio que o fez temer pela própria vida.
Após deixar a unidade policial, Vinícius compartilhou detalhes sobre sua recuperação, afirmando que já consegue caminhar e realizar algumas atividades normalmente. Apesar da evolução, ele ainda sente dores decorrentes dos ferimentos, mas considera sua sobrevivência um verdadeiro milagre.
O relato do professor, que detalhou os momentos de tensão vividos durante a agressão e seu medo de não ser encontrado a tempo, foi divulgado após seu depoimento. Conforme informações divulgadas, a investigação segue as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e a polícia está na fase final das diligências, com o encaminhamento do relatório ao Ministério Público.
O medo de não sobreviver e a gratidão pelo socorro
Emocionado, Vinícius Siqueira relatou que, durante os momentos de ataque, o pensamento de que “eu ia morrer” tomou conta de sua mente, com uma preocupação especial com o sofrimento de seus pais. Ele também temeu ficar sozinho na sala de aula sem receber ajuda a tempo.
O professor agradeceu imensamente a Alan Marques, a pessoa que o encontrou após o ataque e pediu ajuda, descrevendo sua atitude como decisiva para o rápido atendimento médico. Para Vinícius, poucas pessoas teriam a coragem e a disposição de se envolver em uma situação tão drástica.
Após passar três dias internado, o professor iniciou o processo de recuperação, recebendo apoio de médicos, familiares, amigos e até de desconhecidos. Ele expressou gratidão por todo o suporte que tem recebido.
Incertezas sobre o futuro na carreira docente
Apesar da melhora física, Vinícius Siqueira ainda avalia se retornará à profissão de professor. Ele admitiu que a experiência o deixou abalado e que “dar aula talvez não seja uma coisa que eu pretenda retornar a fazer”.
O professor revelou que conhecia pouco o adolescente agressor, estando apenas na terceira ou quarta aula com ele quando o ataque ocorreu. Segundo Vinícius, não havia qualquer sinal de comportamento que pudesse indicar uma agressão iminente, e ele afirma “não conseguir citar nenhuma causa, nenhuma coisa que justifique um ato desse”.
Investigação e possível responsabilidade dos pais
O depoimento de Vinícius Siqueira nesta segunda-feira visou esclarecer detalhes cruciais sobre o momento do ataque. Testemunhas e o adolescente suspeito da agressão também já prestaram seus depoimentos à polícia.
A investigação, conduzida sob as normas do ECA, também analisará a possível responsabilidade dos pais do adolescente, diante de relatos de eventual omissão de socorro após o ataque. A decisão sobre qualquer responsabilização caberá às autoridades competentes.
O professor Vinícius Siqueira, após o ataque, assistiu ao vídeo da agressão, mas disse ter se arrependido de ter visto as imagens, que trouxeram mais angústia.