Operações no AM: R$ 263 Milhões de Prejuízo ao Crime, Mas Facções Dominam Rios e Floresta
Uma série de operações conjuntas entre forças estaduais e federais no Amazonas resultou na prisão de 1.902 pessoas e causou um prejuízo estimado em R$ 263,48 milhões ao crime organizado entre 2024 e 2026. O balanço, divulgado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), revela um avanço significativo em apreensões e investimentos, mas especialistas apontam que a extensão territorial, a falta de efetivo e a corrupção ainda garantem o domínio de facções sobre as rotas fluviais e a floresta.
O Governo Federal investiu R$ 265 milhões no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir equipamentos e apoiar ações ostensivas contra o narcotráfico. O objetivo foi bloquear corredores logísticos estratégicos usados para o transporte de ilícitos na Amazônia. Entre os resultados estão a apreensão de 9,1 toneladas de drogas, 471 armas de fogo e 72 toneladas de minério ilegal.
Apesar dos esforços, o prejuízo financeiro imposto ao crime é considerado um custo operacional frente aos lucros gerados. Analistas de segurança ressaltam que a força das facções se mantém em áreas de pouca presença do Estado. A dificuldade em fiscalizar rotas extensas e a corrupção são apontadas como os principais gargalos para um combate mais efetivo. Essas informações foram divulgadas pelo g1.
Gargalos Estruturais e Domínio Fluvial Dificultam Combate ao Crime
O cientista político Joel Paviotti explica que a falta histórica de investimento em estrutura dificulta o trabalho das forças de segurança. A vasta extensão territorial do Amazonas, com suas complexas rotas fluviais, torna quase impossível o mapeamento e a fiscalização eficientes por parte do efetivo policial e das Forças Armadas. A venda de drogas, segundo Paviotti, gera lucros vultosos que sustentam um sistema de corrupção.
Facções Expandem Influência e Disputam Rotas no Amazonas
Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Comando Vermelho (CV) assumiu posição dominante na Rota do Solimões após o colapso da facção Família do Norte (FDN). O CV disputa território com o Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A cooptação de comunidades ribeirinhas e alianças com grupos armados estrangeiros também fortalecem o poder dessas organizações.
Crimes Ambientais se Tornam Nova Fronteira para o Crime Organizado
Além do tráfico de drogas, as organizações criminosas têm avançado sobre a exploração ilegal da floresta. O garimpo ilegal, a extração de madeira, a grilagem de terras e o tráfico de ouro são utilizados como instrumentos diretos de lavagem de dinheiro. Esses recursos são fundamentais para financiar a compra de drogas e armas nas fronteiras, configurando um “sistema híbrido” de atuação criminosa.
Poder Público Reforça Ações e Programas na Região
As Forças Armadas afirmam atuar de forma subsidiária e integrada, com operações como a Ágata Amazônia reforçando a presença do Estado e o controle de rotas de tráfico. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Programa Território Seguro, Amazônia Soberana, prioriza regiões como o Alto Solimões e Alto Rio Negro para desarticular o crime organizado e oferecer alternativas lícitas à população.