Pedreiro Edilson Takahara impressiona juízes com sustentação oral no TRT-11 e recebe elogios inesperados.
Em um ato incomum e inspirador, o pedreiro Edilson Takahara demonstrou preparo e eloquência ao realizar sua própria sustentação oral em um processo trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que abrange os estados do Amazonas e Roraima. O caso, julgado em 17 de agosto, envolveu o reconhecimento de vínculo empregatício com uma empresa para a qual trabalhou em uma obra em Manaus.
Takahara dedicou tempo ao estudo da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e dos detalhes de seu processo, visando apresentar seus argumentos de forma pessoal e eficaz. Sua atuação, que durou cerca de 10 minutos, não passou despercebida pelos magistrados presentes, que fizeram questão de enaltecer sua preparação e capacidade de defesa.
O caso em questão é um Recurso Ordinário, relatado pelo juiz convocado Sandro Nahmias Melo. A empresa recorreu de uma decisão anterior que havia reconhecido o vínculo de emprego, alegando que Edilson atuava como trabalhador autônomo. O pedreiro, por sua vez, apresentou seu próprio recurso, buscando a aplicação de multas e contestando a má-fé da empresa. A informação foi divulgada pelo TRT-11.
A Coragem de Defender os Próprios Interesses
Edilson expressou a dificuldade e a importância de estar ali, superando a barreira da insegurança e os comentários de que não saberia se expressar. Ele enfatizou que o esforço para vencer essa etapa foi significativo, demonstrando a força de sua determinação em buscar seus direitos.
Para a sustentação, o pedreiro estudou os aspectos fundamentais da legislação trabalhista e os pormenores de seu processo. Ele questionou a tese da empresa sobre o trabalho autônomo, argumentando que, após a anulação da primeira sentença, a empresa não apresentou provas concretas que comprovassem uma contratação por empreitada ou pagamentos por serviços específicos.
Elogios Inesperados e Sugestões de Mudança de Profissão
Ao final da exposição de Edilson, o juiz relator Sandro Nahmias Melo fez questão de parabenizá-lo. Melo descreveu o momento como representativo na história da Justiça do Trabalho, destacando a possibilidade de um trabalhador defender seus próprios interesses diretamente no tribunal.
O magistrado chegou a brincar, sugerindo que Edilson poderia considerar uma mudança de profissão. “Pode mudar de profissão porque a lógica de argumentos acaba sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido“, comentou Sandro Nahmias Melo, elogiando a clareza e a organização do raciocínio do pedreiro.
A Justiça da Cidadania em Ação
Outro magistrado presente, Audari Matos Lopes, também ressaltou a importância da atuação de Edilson. Ele comparou a situação a grandes figuras históricas que, sem formação jurídica formal, tiveram atuações notáveis no campo do Direito, como Luiz Gama e Alexander Hamilton.
“Essa é a verdadeira Justiça, a Justiça da cidadania, que permite a um cidadão humilde vir aqui defender os seus interesses. E o fez com muita capacidade.“, afirmou Lopes, incentivando o pedreiro a aprofundar seus estudos em cidadania.
Decisão e Reconhecimento Final
A votação do recurso foi unânime, acompanhando o voto do relator, que decidiu pela rejeição dos recursos apresentados pela empresa e pelo reclamante, mantendo a sentença original com pequenas ressalvas. Ao final da sessão, a presidente do TRT-11 também parabenizou Edilson pela desenvoltura e pela organização lógica de sua fala, consolidando o reconhecimento de sua notável atuação.