domingo, 20 de setembro de 2026 | Manaus, AM
Ao Vivo
Manaus: Semana Nacional de Trânsito 2026 oferece saúde, cidadania e mobilidade grátis em evento imperdível no Centro Câncer na Família: É Mito Que Exames Devem Ser Antecipados? Especialistas Esclarecem Riscos Reais e Hereditariedade Jovem Autista de 25 Anos é Brutalmente Assassinado em Manaus Após Comemorar Novo Emprego David Assayag, a Voz da Amazônia, será homenageado pela escola de samba Primeira da Cidade Líder no Carnaval de SP em 2027 Pescadores Indígenas em Boa Vista Colhem Mais de 2 Toneladas de Tambaqui em Projeto de Sustentabilidade e Renda Itacoatiara: Incêndio em casa deixa morador ferido após tentativa de afastar mosquitos com fumaça de ovos Motocicleta é esmagada entre ônibus e plataforma em Manaus: Motorista e cobrador discutem após incidente na Grande Circular Itália: Meloni anuncia proibição de burcas e niqabs em escolas e limite de estrangeiros por turma, visando integração e igualdade Manaus: Semana Nacional de Trânsito 2026 oferece saúde, cidadania e mobilidade grátis em evento imperdível no Centro Câncer na Família: É Mito Que Exames Devem Ser Antecipados? Especialistas Esclarecem Riscos Reais e Hereditariedade Jovem Autista de 25 Anos é Brutalmente Assassinado em Manaus Após Comemorar Novo Emprego David Assayag, a Voz da Amazônia, será homenageado pela escola de samba Primeira da Cidade Líder no Carnaval de SP em 2027 Pescadores Indígenas em Boa Vista Colhem Mais de 2 Toneladas de Tambaqui em Projeto de Sustentabilidade e Renda Itacoatiara: Incêndio em casa deixa morador ferido após tentativa de afastar mosquitos com fumaça de ovos Motocicleta é esmagada entre ônibus e plataforma em Manaus: Motorista e cobrador discutem após incidente na Grande Circular Itália: Meloni anuncia proibição de burcas e niqabs em escolas e limite de estrangeiros por turma, visando integração e igualdade
Amazonas

Do Lixo à Energia: Gordura de Manaus Vira Biocombustível Revolucionário na Amazônia

Do Lixo à Energia: Gordura de Manaus Vira Biocombustível Revolucionário na Amazônia

Do Lixo à Energia: Gordura de Manaus Vira Biocombustível Revolucionário na Amazônia

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão desenvolvendo uma tecnologia inovadora que transforma a gordura descartada de estabelecimentos comerciais e indústrias em Manaus em biocombustíveis de alta qualidade. Essa iniciativa promete dar um novo destino a um resíduo que antes seria incinerado, contribuindo para a transição energética na região.

A pesquisa, conduzida pelo Grupo de Pesquisa em Tecnologias Biossustentáveis da Amazônia (GP-TECBIOAM), já obteve sucesso na produção de diversos tipos de biocombustíveis em escala laboratorial, incluindo biogasolina, bioquerosene, diesel verde e um combustível para embarcações. O potencial dessa tecnologia vai além, com o resíduo final do processo apresentando viabilidade para ser usado como ligante asfáltico na pavimentação de vias.

Embora a tecnologia ainda esteja em fase de desenvolvimento e não esteja disponível para uso comercial, os resultados iniciais são promissores. Os combustíveis produzidos passaram por testes em laboratório e estão em processo de validação por órgãos credenciados. Conforme informado pela equipe de pesquisa, o próximo passo crucial é a conclusão dessas análises antes de avançar para etapas de produção em maior escala. Conforme divulgação da Ufam, a pesquisa busca transformar um passivo ambiental em energia renovável.

A Origem da Ideia e o Potencial do Resíduo

A ideia para o projeto surgiu a partir de um trabalho de conclusão de curso de um estudante de Engenharia Química da Ufam. O professor Douglas Alberto Rocha de Castro, coordenador do projeto, percebeu o grande potencial da gordura residual para ser convertida em biocombustíveis. A iniciativa recebeu aprovação e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), permitindo o aprofundamento das pesquisas e o desenvolvimento de um processo e um catalisador próprios.

Manaus gera diariamente cerca de 20 toneladas de gordura residual proveniente de indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) e de estabelecimentos comerciais. Grande parte desse material é destinado à incineração, mas o grupo de pesquisa da Ufam almeja transformá-lo em uma fonte de energia renovável e sustentável.

O Processo de Transformação: Da Gordura ao Bio-óleo

O processo de produção dos biocombustíveis inicia com uma etapa de limpeza da gordura residual para remover água, areia e outros compostos que possam interferir na reação química. Em seguida, o material é submetido ao craqueamento termocatalítico, um processo semelhante ao utilizado em refinarias de petróleo. Nesse método, o calor quebra as moléculas da gordura em cadeias menores, resultando na formação de um bio-óleo.

A eficiência do processo é notável, com aproximadamente 700 gramas de bio-óleo sendo convertidos a partir de cada quilo de gordura processada, o que representa um rendimento de cerca de 70%. O grande diferencial dessa tecnologia, segundo Douglas Castro, reside no catalisador desenvolvido pela própria equipe da Ufam.

“Sem o catalisador conseguimos um produto com cerca de 50% de hidrocarbonetos. Com ele, chegamos próximo de 90%, o que torna o combustível muito mais semelhante aos derivados do petróleo”, explicou o pesquisador, destacando a importância do catalisador para a qualidade do biocombustível.

Publicidade 728 × 250 Anuncie Aqui — Banner Meio de Conteúdo

Diversos Combustíveis e um Novo Uso para Resíduos

Após a etapa de craqueamento, o bio-óleo passa por um processo de destilação fracionada, similar ao das refinarias convencionais. Essa técnica separa os diferentes componentes do bio-óleo com base em suas temperaturas de ebulição, resultando na obtenção de diversos biocombustíveis.

Entre os produtos já desenvolvidos estão a bionafta, utilizada como matéria-prima na indústria petroquímica; a biogasolina, cujos parâmetros físico-químicos se mostraram próximos aos exigidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP); o bioquerosene, ainda em fase de aperfeiçoamento para uso na aviação; o diesel verde, considerado um dos combustíveis mais próximos das especificações convencionais; e o bio HFO (biobunker), equivalente ao combustível utilizado por grandes embarcações.

Além dos biocombustíveis, a fração pesada restante da destilação também encontrou uma nova aplicação. “Essa fração pesada está sendo estudada como um bioligante asfáltico para pavimentação. Os testes já estão sendo realizados no laboratório de Engenharia Civil da universidade”, detalhou o pesquisador.

Testes em Motores e o Futuro da Pesquisa

Com as análises laboratoriais em andamento, o grupo de pesquisa da Ufam já iniciou os primeiros testes em motores a combustão. A estratégia inicial é avaliar misturas de gasolina comum com a biogasolina produzida, sem a adição de etanol, para mensurar o impacto exclusivo do novo combustível no desempenho e nas emissões.

No futuro, os pesquisadores planejam expandir os testes para motores a diesel utilizados em geradores de energia, com um foco especial em comunidades isoladas da Amazônia. “O nosso objetivo não é apenas produzir combustíveis, mas transformar um passivo ambiental em energia. Isso pode beneficiar principalmente comunidades isoladas da Amazônia, onde a geração elétrica depende de motores estacionários movidos a diesel”, afirmou Douglas Castro.

A pesquisa, que conta com a participação de professores de diversos departamentos da Ufam e parcerias com outras instituições, como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a UFPA, agora busca ampliar sua capacidade de produção. A equipe está montando uma unidade semipiloto e planeja construir uma planta piloto para validar a tecnologia em escala próxima da industrial. Para isso, o grupo busca novos financiamentos junto a órgãos como a Finep, Capes e CNPq, além de empresas do Polo Industrial de Manaus.

Compartilhe: Facebook Twitter/X
Publicidade 728 × 90 Anuncie Aqui

Deixe um comentário

Publicidade 970 × 160 Anuncie Aqui — Billboard Pré-Rodapé