Antigo grande mufti da Síria, Ahmed Badreddin Hassoun, é sentenciado à prisão perpétua por incitar conflitos e mortes.
A justiça síria proferiu uma sentença histórica ao condenar o ex-grande mufti Ahmed Badreddin Hassoun à prisão perpétua. Hassoun, que serviu por 16 anos durante o regime de Bashar al-Assad, foi considerado culpado por crimes que incluem a incitação à guerra civil e a confrontos confessionais no país.
A decisão judicial marca um ponto de virada na busca por justiça e reparação pelos danos causados pela ditadura na Síria. O novo governo, liderado por Ahmed al-Sharaa, busca responsabilizar figuras proeminentes do regime anterior.
Além da pena máxima, Hassoun também enfrenta outras condenações que somam entre três e 20 anos de prisão. Estas sentenças adicionais são por incitação intencional ao assassinato, participação direta em mortes e por promover o ódio confessional e racial, conforme detalhado pela corte. A informação foi divulgada pela justiça síria.
Condenações severas contra familiares de Assad
A condenação de Hassoun ocorre em um contexto de severas sentenças contra membros da família Assad. Recentemente, Wassim al-Assad, primo do ex-ditador Bashar al-Assad, foi condenado à morte. Wassim foi considerado culpado por múltiplos assassinatos, incluindo atos de tortura e brutalidade, classificados como crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Essa sentença contra Wassim al-Assad seguiu de perto a condenação à morte de Bashar al-Assad e de outros dois familiares: seu irmão Maher al-Assad e outro primo, Atef Najib. As acusações para eles também envolviam crimes contra a humanidade e crimes de guerra, cometidos durante os 14 anos de guerra civil que devastaram a Síria, resultando em cerca de 500 mil mortos.
Bashar al-Assad e irmão foragidos na Rússia
Dos quatro membros da família Assad sentenciados à morte, apenas Atef Najib e Wassim al-Assad estão sob custódia síria. Bashar al-Assad e seu irmão Maher al-Assad fugiram para a Rússia em dezembro de 2024, após uma rápida ofensiva do grupo rebelde HTS na capital, Damasco. O novo governo sírio solicitou a extradição de Bashar al-Assad ao presidente russo Vladimir Putin, mas sem sucesso até o momento, devido ao apoio histórico da Rússia ao regime deposto.
Regime de Assad e o fim de sua era
Bashar al-Assad governou a Síria por 24 anos, período marcado por uma guerra civil sangrenta na segunda metade de seu mandato. Seu regime foi acusado de cometer assassinatos, prisões arbitrárias e torturas. O enfraquecimento do governo Assad se intensificou a partir de 2022, com a redução do apoio russo devido à guerra na Ucrânia, culminando na derrubada de seu regime por uma ofensiva rebelde.
Detalhes das acusações contra Bashar al-Assad
O tribunal de Damasco detalhou as acusações que levaram à condenação à morte de Bashar al-Assad. Entre elas, destacam-se o homicídio premeditado e doloso de múltiplas pessoas, incluindo crianças menores de 15 anos. Assassinatos acompanhados de tortura e brutalidade, incitação ao homicídio, tortura com resultado de morte e privação de liberdade em diversas ocasiões foram citados.
Atef Najib, primo materno de Assad e ex-general do Exército sírio, também foi condenado à morte. Ele foi acusado de liderar uma repressão na província de Daraa, que teria incitado a guerra civil e conflitos sectários. Najib permaneceu preso durante o julgamento, sendo um dos funcionários de mais alto escalão do regime a enfrentar um tribunal.