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Política

Carlos Lacerda: A Virulência do “Corvo do Lavradio” Contra o Comunismo e o Golpismo Revelada em Nova Biografia

Carlos Lacerda: A Virulência do “Corvo do Lavradio” Contra o Comunismo e o Golpismo Revelada em Nova Biografia

A biografia “Carlos Lacerda: Coração de Tempestade” mergulha na vida do “Corvo do Lavradio”, detalhando sua postura radical e suas influências políticas.

Carlos Lacerda, figura política icônica e polarizadora do Brasil, é o protagonista da nova biografia “Carlos Lacerda: Coração de Tempestade”, escrita pelo jornalista Mário Magalhães. A obra, dividida em dois volumes, promete desmistificar a trajetória do “Corvo do Lavradio”, revelando sua virulência na defesa de suas convicções, seja contra o comunismo ou em relação ao golpismo.

Magalhães, conhecido por sua obra sobre Carlos Marighella, dedica mais de uma década à pesquisa sobre Lacerda. O biógrafo afirma que “é impossível entender a história do Brasil sem conhecer a história do Carlos Lacerda”. O primeiro volume, com 442 páginas, cobre o período de 1914 a 1955, explorando as origens e a ascensão política de Lacerda.

A biografia, que custa R$ 109,90 em sua versão impressa e R$ 44,90 em ebook, destaca a intensidade e a polarização que marcavam a atuação de Lacerda. O jornalista Newton Carlos o descreveu como alguém que “parecia não dormir nunca e nem deixar que os outros dormissem”. O jurista Evandro Lins e Silva, amigo que se afastou dele, o considerava “extremado mesmo quando se colocava no centro”. Essa intensidade era sua marca registrada na luta política.

Das Simpatias Comunistas ao Anticcomunismo Ferrenho: A Trajetória de Lacerda

Contrariando a imagem consolidada, a biografia de Magalhães revela que o direitismo nem sempre foi o norte de Lacerda. Na juventude, ele nutria simpatia pelo comunismo e esteve envolvido na Intentona Comunista de 1935, um fato pouco conhecido, especialmente quando comparado à trajetória de Carlos Marighella, que sequer sabia do levante. Essa complexidade e a falta de linearidade em suas convicções políticas são um dos focos da obra.

O biógrafo ressalta a dificuldade em definir Lacerda de forma simplista, respondendo à pergunta sobre suas opiniões com um enfático “Quando?”. A biografia detalha sua oposição ao getulismo, a reação ao Estado Novo, a celebração da queda do regime em 1945 e a forte oposição à primeira eleição de Vargas em 1950. Essa oposição se estendeu a argumentos golpistas que mais tarde seriam utilizados contra Juscelino Kubitschek e em favor da intervenção militar de 1964.

O Atentado da Rua Tonelero e o Suicídio de Vargas: Momentos Cruciais

Magalhães dedica atenção especial a dois episódios marcantes: o afastamento de Lacerda do Partido Comunista em 1939 e o atentado da rua Tonelero em 1954. O atentado, que visava matar Lacerda, acabou resultando na morte do Major Rubens Vaz e nos desdobramentos que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas. A investigação detalhada por Magalhães aponta que a carta-testamento de Vargas teve como ghost-writer José Soares Maciel Filho.

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A biografia também esclarece que Lacerda não era filiado ao Partido Comunista em 1939, mas um “simpatizante com ar de militante”. O rompimento ocorreu após um artigo crítico publicado apocrifamente na revista O Observador Econômico e Financeiro. O livro, segundo o autor, busca apresentar a história de forma escrupulosa, devolvendo o personagem à sua integridade histórica, longe das “camisas de força históricas” que o limitam a visões simplistas.

Lacerda e a Imprensa: Uma Arma de Guerra Política

A imprensa foi a principal arma de Carlos Lacerda. Panfletos, colunas em jornais, seu próprio jornal, rádio e televisão foram utilizados com virulência para defender suas ideias. O jornalista Mário Magalhães, que iniciou sua carreira como estagiário na Tribuna da Imprensa, fundada por Lacerda, entende a importância da imprensa na trajetória do político.

Magalhães descreve o ambiente jornalístico da época como um local onde “a informação era asfixiada pela opinião”. Lacerda se destacou pela eloquência e virulência, transformando seus artigos em discursos inflamados. A biografia, que será concluída em um segundo volume previsto para 2028, promete continuar a explorar as complexidades e contradições de um personagem que desperta paixões e ódios até hoje.

O autor enfatiza que não busca agradar nem aos detratores, nem aos fanáticos partidários de Lacerda. “É impossível qualquer leitor ou leitora manter distanciamento do personagem que mais angariou amores e ódios na história do Brasil”, conclui Magalhães, prometendo um relato que respeita a integridade de um dos nomes mais controversos da política brasileira.

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