Manaus em Alerta: Calor Extremo e Fumaça Ameaçam a Saúde das Crianças
Manaus enfrenta um período desafiador com a chegada do verão amazônico, trazendo consigo altas temperaturas, uma severa estiagem e um preocupante aumento nos focos de queimadas. Este cenário representa um risco considerável para a saúde, especialmente para as crianças, que são mais vulneráveis aos efeitos combinados do calor e da má qualidade do ar.
A Prefeitura de Manaus tem intensificado as orientações para a população, com foco na proteção das crianças, que sofrem mais com a desidratação, insolação e o agravamento de problemas respiratórios. A situação é agravada pela baixa umidade e pela fumaça que se espalha pela cidade.
Diante deste quadro, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos aos sinais de alerta e sigam as recomendações médicas para garantir o bem-estar dos pequenos. Conforme informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), as unidades de saúde estão reforçando os cuidados necessários neste período de verão amazônico.
Os Perigos do Calor e da Fumaça para os Pequenos
As elevadas temperaturas registradas em Manaus, que chegaram a 36,1°C no último dia 10, aumentam significativamente o risco de desidratação, insolação e exaustão pelo calor em crianças. Grupos como bebês prematuros, crianças com deficiências e aquelas que já possuem doenças crônicas, como asma, são os mais suscetíveis a complicações. A fumaça proveniente das queimadas agrava ainda mais o quadro, causando irritação nas vias respiratórias e piorando condições como a asma.
Estiagem Severa Reduz a Chuva em Manaus
O período de estiagem em Manaus está mais rigoroso que o normal. Dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) revelam que nos primeiros dez dias de agosto, a cidade registrou apenas cerca de 3,5 milímetros de chuva, o que representa aproximadamente 1% da média esperada para esta época do ano. Essa escassez de chuva contribui para o aumento da poeira e da fumaça no ar, intensificando os problemas respiratórios.
Orientações Essenciais para Proteger as Crianças
Para combater os efeitos do calor e da má qualidade do ar, a chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, Janaína de Sá Terra, reforça a importância de medidas preventivas. É crucial oferecer água com frequência para crianças com mais de seis meses, mesmo que não demonstrem sede. Para bebês com menos de seis meses, a amamentação em livre demanda é a melhor forma de hidratação. Priorize alimentos ricos em água, como frutas, verduras e legumes, e evite bebidas açucaradas e ultraprocessados.
Outras recomendações importantes incluem evitar a exposição direta ao sol entre as 9h e as 16h, usar roupas leves e claras, e manter os ambientes bem ventilados. Em dias de muita fumaça, atividades ao ar livre devem ser reduzidas. Nunca deixe crianças sozinhas em veículos, nem por curtos períodos, pois a temperatura interna pode subir rapidamente e se tornar perigosa.
Sinais de Alerta para Procurar Ajuda Médica
É fundamental estar atento aos sinais de que a criança pode estar sofrendo com o calor excessivo ou desidratação. Procure atendimento médico imediatamente se a criança apresentar boca seca, diminuição na quantidade de urina, ausência de lágrimas ao chorar, olhos fundos, sonolência excessiva, irritabilidade, fraqueza, respiração acelerada ou pulso fraco. A pediatra Lucíola Peixoto explica que o organismo infantil tem uma regulação de temperatura diferente do adulto, perdendo água mais facilmente e tendo maior dificuldade para regular o calor corporal, o que aumenta a vulnerabilidade.