Flávio Bolsonaro Foca Emendas em Segurança e Defesa, Deixando Ciência e Agricultura de Fora
Um levantamento detalhado com dados da plataforma Siga Brasil revela que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também candidato à Presidência, concentrou suas emendas parlamentares em áreas de segurança pública e defesa nacional. A análise mostra uma notável ausência de recursos destinados a setores como habitação, agricultura e ciência e tecnologia.
O estudo, que considera o valor total destinado às áreas, respeitando a obrigatoriedade legal de destinar 50% das emendas à saúde, aponta para um direcionamento específico dos recursos do senador. Desde o início de seu mandato em 2019, Flávio Bolsonaro indicou R$ 364 milhões em emendas parlamentares, corrigidos pela inflação.
Esses valores, conforme divulgado pela Folha, indicam uma clara priorização do senador em temas de segurança e defesa, o que se alinha a discursos de campanha, mas contrasta com a falta de investimento em áreas essenciais para o desenvolvimento do país. Acompanhe os detalhes dessa distribuição de recursos.
Segurança Pública e Defesa Nacional Recebem Maior Fatia das Emendas
As áreas de defesa nacional e segurança pública foram as maiores beneficiárias das emendas de Flávio Bolsonaro. De acordo com o levantamento, 21,8% dos recursos, o equivalente a R$ 79,5 milhões, foram destinados à defesa nacional. Outros 19,4%, somando R$ 70,9 milhões, foram direcionados para segurança pública.
Esses números colocam Flávio Bolsonaro como o senador que mais destinou emendas para defesa nacional e o segundo em prioridade para segurança pública, atrás apenas de Marcos do Val (Avante-ES). Os repasses para segurança pública concentraram-se em programas de combate ao crime organizado, violência e corrupção, além de ações de cidadania.
A maior parte dessas emendas, R$ 32,5 milhões, teve caráter nacional, enquanto R$ 26,2 milhões foram destinados ao estado do Rio de Janeiro, com foco na capital e em São Gonçalo. As emendas para defesa visam a modernização de unidades das Forças Armadas e a adequação de infraestrutura militar.
Saúde Recebe Quase o Mínimo Obrigatório, Educação e Agricultura Ignorados
A área da saúde recebeu apenas 1% do total das emendas, R$ 5,2 milhões, ficando muito próxima do mínimo legal de 50,8% (R$ 185,5 milhões) exigido pela legislação. Essa alocação mínima levanta questionamentos sobre a prioridade dada a um setor vital como a saúde pública.
Para a educação, o senador destinou um percentual ainda menor, 0,8% (R$ 2,9 milhões), o que o coloca na 56ª posição entre os senadores nesse quesito. Áreas como habitação, transporte, ciência e tecnologia, cultura, energia e, notavelmente, agricultura, não receberam nenhuma emenda de Flávio Bolsonaro.
A exclusão da agricultura é particularmente notável, visto que 78 dos 117 congressistas que indicaram emendas desde 2019 investiram neste setor. Isso contrasta com o discurso pró-agronegócio do senador, que chegou a acusar o governo Lula de perseguir o setor.
Outras Áreas e o Discurso do Senador
Outras áreas também receberam atenção limitada. Esportes e lazer ficaram com 3,1% (R$ 11,5 milhões), e assistência social com 1,67% (R$ 6 milhões). Encargos especiais, que incluem o pagamento de dívidas e juros, receberam 1,4% do valor total (R$ 5,2 milhões).
Em resposta às apurações, o senador afirmou que prioriza municípios e regiões em situação precária, que enfrentam dificuldades por má gestão federal. Ele destacou que saúde e segurança são bandeiras defendidas por seu mandato e, portanto, também priorizadas. No entanto, a distribuição de emendas sugere um foco desproporcional em segurança e defesa.
Apesar de não destinar recursos para áreas como ciência e tecnologia, o senador tem focado suas propostas legislativas em segurança pública, com a autoria ou coautoria de diversos projetos de lei e Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sobre o tema. Contudo, poucas de suas propostas tiveram impacto prático ao longo de seu mandato.