Amazonas registra crescimento explosivo de crimes cibernéticos em oito anos
O Amazonas testemunhou um aumento alarmante de 43 vezes nos crimes cibernéticos entre 2017 e 2025. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas revelam um salto assustador de 439 para 18.904 ocorrências registradas no período, evidenciando a crescente digitalização e as novas frentes de atuação dos criminosos.
Especialistas apontam o fácil acesso à internet e o avanço da inteligência artificial como fatores cruciais para essa escalada. Situações chocantes, como o uso de deepfakes para difamação e golpes, afetam tanto figuras públicas quanto cidadãos comuns, gerando prejuízos financeiros e morais.
A atriz Paolla Oliveira e a influenciadora Ruivinha de Marte são exemplos de vítimas de deepfakes, com seus rostos sendo utilizados em montagens falsas. No entanto, o problema vai além do universo das celebridades, com pessoas como a amazonense Luna Nikolas relatando experiências de difamação e extorsão online.
Conforme informação divulgada pelo Anuário de Segurança Pública do Amazonas, o número de crimes cibernéticos em 2017 era de 438. Este número aumentou para 1.369 em 2018 e continuou em ascensão até 2025, totalizando um crescimento de aproximadamente 43 vezes em oito anos.
Estelionato lidera ranking de crimes virtuais no estado
Entre as diversas modalidades de crimes cibernéticos, o estelionato se destaca como o principal responsável pelo crescimento alarmante. Os registros saltaram de apenas 11 casos em 2017 para 6.925 em 2025. Somente entre 2024 e 2025, houve um aumento de 14,7% nesse tipo de delito.
Invasão de dispositivos e ameaças eletrônicas também crescem
As invasões de dispositivos informáticos também apresentaram um aumento expressivo, passando de oito ocorrências em 2017 para 1.952 em 2025. Apesar de um crescimento menor entre 2024 e 2025, a tendência geral é de alta. As ameaças por meios eletrônicos, por sua vez, registraram um avanço de 41,4% de 2024 para 2025, com o número de ocorrências subindo de 1.496 para 2.116.
Especialistas alertam para a democratização do crime digital
Aldo Evangelista, especialista em direito digital na Amazônia, explica que a rápida transformação digital e o acesso facilitado a ferramentas como a inteligência artificial têm impulsionado o número de golpes. Ele ressalta que o aumento se deve a uma combinação de fatores, incluindo mais criminosos, mais vítimas, maior conscientização e uma melhor capacidade do Estado em registrar e investigar esses delitos.
Evangelista enfatiza que ninguém está imune a esses golpes. Adultos economicamente ativos são alvos frequentes devido ao seu poder financeiro e uso de aplicativos bancários, enquanto jovens são visados por meio de redes sociais, jogos e falsas oportunidades de investimento. A inteligência artificial, especialmente os deepfakes, adiciona uma nova camada de sofisticação aos ataques.
Como se proteger e denunciar crimes cibernéticos
Para se proteger, é fundamental adotar medidas de segurança digital, como o uso de senhas fortes e a desconfiança em links e ofertas suspeitas. Em caso de ser vítima, a primeira ação recomendada pelo advogado especialista em direito digital, Fernando Filho, é reunir todas as provas possíveis. Isso inclui prints de tela, conversas salvas e links de publicações.
Em seguida, é essencial registrar um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Virtual do Ministério da Justiça ou de forma anônima pelo disque-denúncia 181. Quem sofreu prejuízo financeiro deve comunicar imediatamente o banco e guardar todos os protocolos. Para casos de deepfakes e uso indevido de imagem, é importante solicitar a remoção do conteúdo às plataformas e, se necessário, buscar auxílio jurídico.