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Declaração de Lula sobre Guerra do Paraguai gera nota de repúdio oficial do governo de Santiago Peña

Declaração de Lula sobre Guerra do Paraguai gera nota de repúdio oficial do governo de Santiago Peña

Governo do Paraguai formaliza repúdio ao Brasil por declarações de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança

O governo do Paraguai entregou, nesta sexta-feira (31/7), uma nota oficial de repúdio ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes. O documento é uma resposta direta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança, que foram consideradas pelo país vizinho como uma “visão distorcida” da história.

A entrega da nota ocorreu após o chanceler Rubén Ramírez Lezcano convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos, um ato diplomático que sinaliza forte insatisfação. Em comunicado, o governo paraguaio expressou “desagrado e rejeição absoluta” às falas do presidente brasileiro, afirmando que elas “reabrem antigas feridas” e não contribuem para o futuro comum dos dois povos.

O que motivou a crise

O mal-estar teve origem em uma declaração de Lula durante agenda em São Paulo no dia 24 de julho. Na ocasião, o presidente afirmou: “A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”.

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A fala refere-se à Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), o maior conflito armado da história sul-americana, que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Para o país vizinho, o episódio é um dos maiores traumas nacionais, com estimativas indicando a morte de cerca de 70% da população paraguaia.

Reações e desdobramentos

Além da convocação do embaixador e da nota de repúdio, o chanceler paraguaio já havia contatado o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para tratar do assunto. O Congresso do Paraguai também se manifestou criticando a declaração de Lula.

Apesar da tensão, os presidentes Lula e Santiago Peña, que mantêm uma boa relação pessoal, conversaram sobre o episódio. O chanceler paraguaio, porém, reforçou a posição do país: “A dignidade do Paraguai não é negociável”. O governo de Peña afirma ter tratado a questão “ao mais alto nível desde o início”, valorizando a serenidade do presidente para gerenciar os procedimentos diplomáticos. A nota finaliza rejeitando integralmente as declarações e criticando a “distorção dos fatos históricos”.

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