Receita Federal mantém operações contra drogas, argumentando competências complementares com a Polícia Federal.
A Receita Federal reafirmou sua posição de continuar realizando operações de combate ao tráfico internacional de drogas, mesmo diante das críticas e da irritação demonstrada pela Polícia Federal (PF). O órgão do Ministério da Fazenda sustenta que suas atribuições são complementares às da PF, justificando a continuidade das ações com base em um rigor técnico e na utilização de inteligência de dados.
A tensão entre as duas instituições ganhou destaque após policiais federais acusarem auditores da Receita de “usurpação de função” e de, em alguns casos, atrapalharem investigações em andamento. O clima teria se deteriorado significativamente após uma apreensão de mais de 260 toneladas de madeira, divulgada como um marco histórico pela Receita, mas que, segundo laudos periciais, não apresentou indícios de cocaína.
Em resposta à repercussão pública da insatisfação da PF, a Receita Federal emitiu uma nota oficial reiterando a orientação para que suas equipes de fiscalização atuem com firmeza no combate ao narcoturismo e outras atividades criminosas. A declaração, conforme divulgada pela própria Receita, enfatiza a importância de agir com “rigor técnico, prontidão e absoluta intolerância diante de indícios de utilização das cadeias logísticas internacionais para o narcoturáfico, a extração ilegal de madeira e demais atividades criminosas”. Essa posição, segundo informações obtidas, busca destacar o investimento em inteligência e cooperação internacional, essenciais para lidar com as novas táticas de ocultação de drogas empregadas por criminosos.
Receita Federal destaca aumento de apreensões e recorde em 2025
O órgão federal ressalta que o volume de apreensões de drogas tem apresentado um crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2025, foram apreendidas 80 toneladas de entorpecentes, estabelecendo um novo patamar recorde e representando um aumento de 16% em comparação com o ano anterior, 2024. A maior parte dessa apreensão, especificamente 75,3%, foi de maconha, seguida por 22,2% de cocaína e 2,5% de outras substâncias.
Críticas da PF e a apreensão de madeira sem drogas
A polêmica envolvendo a apreensão de madeira surgiu como um ponto focal de discórdia. A PF alegou que peritos não encontraram indícios de cocaína na carga, o que gerou acusações de “usurpação de função” por parte dos auditores da Receita. Essa situação, segundo fontes internas da Receita, é vista como um momento para “lavar roupa suja dentro de casa”, evidenciando a necessidade de um alinhamento sobre as competências de controle de fronteiras, que são consideradas complementares.
Argumentos da Receita sobre a atuação e a ciência pericial
A Receita Federal, em sua nota, abordou a questão da apreensão de madeira, afirmando que as análises periciais do Instituto Nacional de Criminalística ainda estavam pendentes. O órgão defende que a eventual não confirmação de indícios de drogas em uma operação específica é uma “consequência natural e esperada em determinados eventos”. Essa ocorrência, segundo a Receita, não deve servir como desincentivo para a atuação firme contra organizações criminosas, reforçando a importância de manter a vigilância e as operações de fiscalização.