Tambaqui gigante, um achado raro, reaparece em feira no Amazonas e gera curiosidade
Um vídeo que exibe um impressionante tambaqui de 50 quilos sendo manuseado em uma feira no município de Coari, no interior do Amazonas, viralizou nas redes sociais, ultrapassando 1,4 milhão de visualizações. As imagens destacam o tamanho incomum do peixe, um ícone da culinária amazônica, que geralmente é encontrado em feiras e mercados pesando entre 4 e 6 quilos.
O registro, feito pelo influenciador Silvio Junior Rodrigues, conhecido por compartilhar curiosidades da região, mostra o pescador e feirante Raimundo “Bigode”, com cerca de 40 anos de experiência, interagindo com o peixe de dimensões notáveis. Silvio, que frequentemente documenta o cotidiano e a cultura amazônica, expressou sua satisfação em mostrar ao público a grandiosidade da fauna local.
Embora peixes de grande porte ainda possam ser encontrados na região, Silvio ressalta que exemplares como este são menos comuns em centros urbanos como Manaus. Conforme informação divulgada pelo g1, o biólogo Endiberg Oliveira explicou que tambaquis acima de 30 quilos são considerados raros atualmente, contrastando com o passado, quando exemplares de até 50 quilos eram registrados, sendo um deles preservado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Fatores que explicam o reaparecimento de tambaquis gigantes
Segundo o biólogo Endiberg Oliveira, o aumento na frequência de vídeos mostrando tambaquis de grande porte pode ser resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se o **maior tempo de vida dos animais**, a **disponibilidade de alimento** e **mudanças significativas na atividade pesqueira** ao longo das últimas décadas. Oliveira sugere que os peixes podem estar vivendo mais devido a essas alterações ocorridas nos últimos 50 anos.
Redução da pressão pesqueira favorece a espécie
Uma das principais razões apontadas para o possível aumento no tamanho dos tambaquis é a **redução da pressão da pesca**. O biólogo explica que, na década de 1970, o tambaqui representava cerca de 70% do pescado na região amazônica. Atualmente, essa porcentagem caiu para aproximadamente 5%. Em contrapartida, espécies como jaraqui, sardinha e pacu passaram a compor cerca de 60% do volume comercializado.
Esse cenário, somado ao crescimento da **piscicultura**, com a criação de peixes em tanques e viveiros, pode estar contribuindo para a **recuperação dos estoques naturais de tambaqui**. O especialista lembra que, há algumas décadas, era comum encontrar tambaquis ainda maiores nos mercados de Manaus, como no Mercado Adolpho Lisboa, onde eram vendidos em pedaços. Hoje, a tradicional banda de tambaqui geralmente provém de peixes de até cinco quilos.
Pesquisas futuras são necessárias para confirmar a tendência
Apesar do otimismo gerado por esses registros, Endiberg Oliveira alerta que ainda é cedo para afirmar que os tambaquis estão ficando maiores de forma generalizada. Ele enfatiza a necessidade de **novos estudos sobre a dinâmica populacional** dos peixes amazônicos para determinar se o aparecimento de exemplares gigantes é uma tendência de recuperação dos estoques ou apenas ocorrências pontuais que ganharam visibilidade com as redes sociais.
O biólogo compara a situação com a do jaraqui, cujo tamanho consumido nos mercados diminuiu nos últimos 20 anos devido à maior pressão de pesca. No caso do tambaqui, o que pode estar ocorrendo é o oposto, impulsionado pela Lei do Defeso e pelo fortalecimento da piscicultura. Contudo, Oliveira reitera que **mais pesquisas são cruciais** para uma compreensão clara do fenômeno.