China critica tarifas dos EUA e se aproxima do Brasil em meio à tensão comercial
O Ministério do Comércio da China manifestou forte oposição às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses, classificando-as como **”injustificadas” e um ato de protecionismo**. Pequim acusou Washington de recorrer a medidas unilaterais, utilizando a justificativa de combate ao trabalho forçado de forma política.
As novas taxas, que incluem 12,5% sobre produtos chineses e brasileiros, foram anunciadas pelos EUA sob o argumento de que esses países não implementaram medidas suficientes para restringir importações associadas ao trabalho degradante. A China rejeitou veementemente essa acusação, citando seu próprio arcabouço legal trabalhista e questionando o histórico dos EUA na área.
Essa reação ocorre em um momento de **reforço nas relações entre China e Brasil**. O presidente chinês, Xi Jinping, conversou recentemente com o presidente Lula, reafirmando o apoio político chinês ao Brasil na defesa de sua soberania e independência, e na busca pela paz e estabilidade regionais e mundiais. Conforme informação divulgada pela Reuters, Pequim vê a necessidade de ambas as nações se posicionarem “firmemente do lado certo da história” diante de “novas circunstâncias e desafios”.
China acusa EUA de “unilateralismo e protecionismo”
O governo chinês, através de seu Ministério do Comércio, afirmou que as tarifas americanas são um **”ato típico de unilateralismo e protecionismo”**. Pequim destacou que mantém uma ampla estrutura de leis trabalhistas e acusou os EUA de não terem ratificado a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930. A China reserva o direito de “tomar todas as medidas necessárias” em resposta, mas indicou disposição para manter o diálogo baseado em “respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo”.
A China lembrou que, em negociações anteriores, os EUA se comprometeram a limitar tarifas adicionais a 20%. Como a nova taxa aplicada à China ficou em 12,5%, Pequim vê espaço para manter uma trégua comercial e avançar nas conversas antes de uma possível visita do presidente Xi Jinping a Washington em setembro.
Disputas comerciais se estendem à inteligência artificial
Além das tarifas, a China criticou a possibilidade de os Estados Unidos abrirem uma investigação sobre o setor chinês de inteligência artificial. Pequim acusou Washington de promover um **”hegemonismo por IA”** e de usar medidas unilaterais para conter o avanço tecnológico chinês. O governo chinês condenou o que chamou de “difamação” e ameaças de sanções contra empresas do setor de IA.
A China prometeu adotar “todas as medidas necessárias” para proteger os direitos e interesses de suas empresas, ampliando a lista de atritos entre as duas maiores economias do mundo, que já disputam espaço em áreas como comércio, semicondutores e inteligência artificial.
Brasil busca diversificar mercados em meio a tensões globais
Em meio ao aumento das tensões comerciais com os EUA, especialistas avaliam que a **diversificação de mercados se torna ainda mais estratégica para países exportadores como o Brasil**. A ampliação dos destinos das exportações reduz a dependência de um único parceiro comercial e ajuda a amortecer os impactos de tarifas e disputas geopolíticas.
Na conversa com Xi Jinping, os presidentes Lula e Xi concordaram sobre a urgência de acelerar as negociações para a criação de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, prevendo as flexibilidades necessárias para o bloco sul-americano. O objetivo é mitigar a dependência e amortecer os impactos do protecionismo americano, fortalecendo assim a posição do Brasil no cenário internacional.