Artesanato em Manacapuru: Mulheres Superam Desafios e Geram Renda com Talento e Resiliência
O talento artístico se tornou um farol de esperança e sustentabilidade para inúmeras mulheres em Manacapuru, no interior do Amazonas. Uma iniciativa inspiradora reuniu cerca de 80 artesãs, cujas histórias de superação e empreendedorismo ganharam destaque em uma recente feira no município.
Entre as participantes estão mulheres em contextos de vulnerabilidade, como mães solo, pacientes em tratamento contra o câncer, mulheres indígenas e vítimas de violência doméstica. Elas encontraram no artesanato não apenas uma forma de ocupar o tempo, mas uma oportunidade concreta de gerar renda e transformar suas vidas, provando que a criatividade pode ser uma poderosa ferramenta de empoderamento.
Essa feira, que celebra a força feminina e a riqueza cultural da região, também contou com a participação de profissionais que mantêm o artesanato como uma atividade paralela a suas carreiras. Conforme informação divulgada pelo g1, enquanto algumas mulheres iniciaram a produção por necessidade, outras transformaram um talento cultivado ao longo da vida em uma fonte de sustento e realização pessoal.
Aura de Superação: Do Tratamento Oncológico ao Empreendedorismo
A artesã e orientadora social Aurinete Alves de Oliveira é um exemplo vivo dessa transformação. Há 16 anos, durante seu tratamento contra o câncer de mama, ela descobriu no fuxico, técnica de artesanato com retalhos de tecido, uma maneira de desviar o foco da doença. O que começou como um passatempo para ocupar a mente durante os encontros na Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon), acabou mudando sua trajetória profissional.
Atualmente, Aurinete ministra oficinas de artesanato para mulheres que enfrentam ansiedade, depressão e também para pacientes oncológicas. Ela relata que o trabalho manual não só terapêutico, mas também abriu portas para que muitas participantes conquistassem independência financeira, gerando sua própria renda através da venda de suas peças.
Cultura Indígena que Ganha o Mundo em Forma de Arte
A diversidade cultural de Manacapuru é representada com orgulho por Ivanete Laborda, indígena do povo Apurinã, de 33 anos. Vinda da zona rural do município, ela levou para a feira grafismos tradicionais, criados com sumo de jenipapo, uma técnica ancestral de seu povo. Esses desenhos, que carregam a identidade Apurinã, são aplicados em bolsas, camisetas e outras peças artesanais, mantendo viva a rica herança cultural indígena.
Ivanete participa há dois anos da Feira das Mulheres Empreendedoras, onde não só comercializa seus produtos, mas também amplia a divulgação do trabalho desenvolvido em sua comunidade. Ela destaca que cada desenho é uma forma de contar a história e fortalecer as raízes de seu povo.
Biojoias e Cosméticos: A Criatividade que Gera Renda e Bem-Estar
Vera Lúcia da Silva, professora aposentada de 64 anos, encontrou nas biojoias uma nova paixão e fonte de renda. Sua inspiração inicial veio do ensino da disciplina de Artes em uma escola de Caapiranga. Ao chegar em Manacapuru, participou de um curso no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e, a partir daí, integrou a feira, aprimorando suas habilidades artesanais.
Outro caso de sucesso é o de Rosângela Picanço, coordenadora do projeto voltado às mulheres empreendedoras. Como mãe solo, ela iniciou a produção de cosméticos artesanais após seu divórcio. Diagnosticada com câncer no ano passado, Rosângela manteve sua dedicação ao trabalho mesmo durante o tratamento e hoje contribui ativamente para a organização da feira, inspirando outras mulheres.
Um Projeto de Empoderamento Feminino
A iniciativa, segundo Rosângela, fortalece um coletivo de cerca de 80 artesãs, abrangendo mães solo, pacientes oncológicas, mulheres indígenas e vítimas de violência doméstica. Muitas delas iniciaram suas jornadas no artesanato após participarem de cursos de qualificação, encontrando na atividade uma rota segura para a independência financeira.
A feira, que fez parte da programação de aniversário de Manacapuru, não só serviu como vitrine para a comercialização de produtos como crochê, costura criativa, biojoias e grafismos indígenas, mas também como um pilar para o projeto de incentivo ao empreendedorismo feminino. O evento arrecadou R$ 46 mil, um reflexo do potencial econômico dessas mulheres.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Ariane Campello, ressalta que o objetivo é expandir as oportunidades, permitindo que as artesãs consolidem e fortaleçam seus negócios, impulsionando ainda mais o desenvolvimento local e o empoderamento feminino em Manacapuru.