Vacina contra HPV no Brasil: Queda expressiva na prevalência do vírus entre jovens é confirmada por estudo inédito.
Uma pesquisa de grande porte, considerada a maior da América Latina sobre a eficácia da vacina contra o HPV, trouxe resultados animadores para a saúde pública brasileira. Os dados indicam uma redução significativa na prevalência dos principais tipos do papilomavírus humano (HPV) entre jovens de 16 a 25 anos.
A pesquisa Pop-Brasil, realizada pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, analisou amostras de milhares de participantes em duas fases distintas. A primeira, entre 2016 e 2017, e a segunda, de 2020 a 2023, permitiu comparar a incidência do vírus antes e depois da expansão da vacinação.
Os resultados, divulgados recentemente, confirmam o poder da vacinação na prevenção do HPV. Conforme informação divulgada pela pesquisa, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu quase à metade na população jovem estudada, demonstrando o impacto positivo da imunização na saúde da população brasileira.
Queda drástica na prevalência do HPV
Os dados coletados revelam uma diminuição expressiva na infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV contemplados pela vacina. Em 2016 e 2017, 14,98% dos jovens já haviam sido infectados. Já entre 2020 e 2023, essa proporção caiu para 7,95%. Essa redução é um marco importante na luta contra doenças causadas pelo HPV, como o câncer do colo do útero.
Cobertura vacinal e o “efeito rebanho”
Apesar da queda na prevalência, a pesquisa apontou que a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal de 90%. Entre as meninas e mulheres, apenas 61,8% estavam vacinadas, e entre os meninos e homens, o índice foi ainda menor, 31,1%. Mesmo com esses índices, a vacina demonstrou sua eficácia.
Um achado notável foi a comprovação do “efeito rebanho”. Mesmo entre as meninas e mulheres que não foram vacinadas, a prevalência do HPV diminuiu. Isso ocorre porque a vacinação em larga escala reduz a circulação do vírus, protegendo indiretamente toda a comunidade.
Desafios na vacinação masculina e eficácia da dose única
A redução da prevalência do HPV entre os meninos vacinados foi de 13,8% para 4,6%. No entanto, não houve mudança significativa entre os não vacinados, o que a líder da pesquisa, Eliana Wendland, atribui à baixa cobertura vacinal masculina. Ela ressalta que o HPV ainda é amplamente associado ao câncer do colo do útero, subestimando seu impacto em outros tipos de câncer e em homens.
A pesquisa também forneceu evidências sobre a eficácia do esquema de dose única oferecido pelo SUS. Não foram encontradas diferenças na prevalência do vírus entre pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses, reforçando a efetividade da estratégia atual.
HPV: Um vírus com múltiplos impactos
O papilomavírus humano (HPV) é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também está associado a cânceres de pênis, ânus e garganta. Embora nem todos os tipos de HPV sejam cancerígenos, a vacina disponível no SUS protege contra os quatro tipos mais oncogênicos, sendo uma ferramenta essencial de saúde pública.