A Interpol prendeu 5.811 pessoas e apreendeu o equivalente a R$ 1.485.803.000,00 na maior operação global já realizada contra fraudes financeiras. A Operação First Light 2026, conduzida entre janeiro e abril, contou com a participação de 97 países e revelou um esquema criminoso que chegou a utilizar uma réplica de uma delegacia da Polícia Federal do Brasil para enganar vítimas.
O alvo principal da megoperação foram os golpes de engenharia social – técnicas que manipulam a confiança das pessoas para obter dinheiro ou dados sigilosos. Entre os crimes combatidos estão fraudes em e-mails comerciais, extorsão sexual, golpes românticos, falsificação de identidade e esquemas de investimento.
Números expressivos
Ao todo, mais de 142 mil vítimas foram identificadas em todo o mundo, evidenciando o caráter transnacional dessas atividades criminosas. A Interpol divulgou ainda outros resultados da operação:
- 152.808 casos analisados
- 31.014 contas bancárias bloqueadas
- 23.715 casos solucionados
- 15.606 suspeitos identificados
- 99 notificações oficiais emitidas
O caso da “delegacia falsa” da PF
Um dos episódios mais marcantes ocorreu na África, onde a operação desmantelou uma rede criminosa em Eswatini (antiga Suazilândia), com 82 prisões, ligada a jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro. Mas o que chamou a atenção foi a apreensão de uma réplica realista de uma esquadra da Polícia Federal brasileira, incluindo uniformes falsificados.
Segundo a Interpol, os golpistas usavam esse cenário em videochamadas para se passar por agentes da PF. Eles convenciam as vítimas de que estavam sendo investigadas ou alvo de crimes, orientando-as a transferir fundos para uma suposta “conta segura” – que, na verdade, era controlada pelos criminosos.
Alerta global
O diretor do Centro de Crimes Financeiros da Interpol, Tomonobu Kaya, destacou a gravidade do problema:
“Os golpes de engenharia social continuam a representar uma ameaça significativa para a nossa sociedade. Grupos criminosos exploram a psicologia humana para manipular vítimas, e nenhuma nação está segura a menos que todos os países atuem juntos. A Interpol está empenhada em apoiar os países membros na construção de uma estratégia coordenada contra esses crimes.”
A organização, sediada em Lyon (França), reforçou que a operação First Light 2026 evidencia a necessidade de cooperação internacional constante para desmantelar redes criminosas que operam além-fronteiras, lucrando com a vulnerabilidade das pessoas.