Justiça do Amazonas condena mãe e irmão de Djidja Cardoso e mais cinco por tráfico de cetamina em Manaus
A Justiça do Amazonas proferiu uma nova sentença condenando sete pessoas investigadas por integrar um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. Entre os condenados estão Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso. As penas variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão.
Esta decisão surge exatos 10 meses após a Justiça anular uma condenação anterior relacionada ao mesmo processo. O Ministério Público havia reconhecido uma falha na condução do caso, solicitando o retorno à primeira instância. Após a regularização das provas periciais, a Justiça concluiu haver elementos suficientes para confirmar a materialidade dos crimes e a responsabilidade dos envolvidos.
O grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar indiscriminadamente a cetamina, uma substância de uso veterinário com efeito alucinógeno. Conforme as investigações da Operação Mandrágora, a cetamina era adquirida ilegalmente na clínica veterinária MaxVet e distribuída pelo grupo, sendo utilizada durante rituais da seita, onde líderes convenciam pessoas de que a substância proporcionava “cura espiritual” e “elevação”.
Penas e Regimes de Cumprimento
Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe de Djidja, foi sentenciada a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado, sendo apontada como a principal articuladora e líder da associação criminosa. Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja, recebeu a mesma pena e foi considerado o “braço executivo” do grupo. José Máximo Silva de Oliveira, veterinário e proprietário da clínica MaxVet, responsável pelo fornecimento da droga, foi condenado a 10 anos e 4 meses em regime fechado.
Hatus Moraes Silveira, personal trainer, atuava como intermediário e facilitador da logística, recebendo pena de 10 anos e 5 meses em regime fechado. Verônica da Costa Seixas, gerente, auxiliava na aquisição e ocultação dos materiais, com pena de 10 anos em regime fechado. Sávio Soares Pereira, funcionário de clínica veterinária, responsável pelas negociações via WhatsApp, foi condenado a 9 anos em regime semiaberto.
Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, participava da logística e incentivava o consumo da droga, recebendo pena de 8 anos e 6 meses em regime fechado. Dos condenados, Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus tiveram a prisão preventiva mantida e não poderão recorrer em liberdade. Verônica, Sávio e Bruno poderão recorrer em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A Cetamina e seus Perigos
A cetamina, originalmente utilizada como anestésico veterinário, era aplicada em humanos em doses consideradas perigosas. Testemunhas relataram episódios de cárcere privado e abusos sexuais contra vítimas sob efeito da droga. A investigação policial aponta a overdose de cetamina como uma das principais suspeitas para a morte de Djidja Cardoso, encontrada morta em maio de 2024. O laudo preliminar do IML indica edema cerebral como causa, mas sem esclarecer o fator desencadeante.
Absolvições e Contexto da Morte de Djidja
Três réus foram absolvidos por falta de provas suficientes: Emicley Araújo Freitas (motoboy), Claudiele Santos da Silva (maquiadora) e Marlisson Vasconcelos Dantas (maquiador). Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, foi encontrada morta em 28 de maio, com sinais de overdose e indícios do uso da substância injetável. Frascos de cetamina foram encontrados enterrados no quintal de sua casa, juntamente com seringas, bulas e medicamentos.