Ônibus em Manaus operam com frota reduzida fora do horário de pico após paralisação
O transporte coletivo em Manaus voltou a circular nesta terça-feira (21) com uma operação significativamente reduzida fora dos horários de maior movimento. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que a frota está operando com apenas 50% dos veículos disponíveis nos períodos de menor demanda.
Essa medida segue uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que estabeleceu que o serviço mantenha 80% dos ônibus em circulação durante os horários de pico, compreendidos entre 6h e 9h, e das 17h às 20h. Nos demais períodos do dia, a operação deve funcionar com metade da frota. A paralisação dos rodoviários, que havia iniciado na segunda-feira (20), levou a essa nova configuração.
A volta dos ônibus às ruas ocorreu ainda na madrugada de terça-feira, com 80% da frota circulando no início da manhã, após o TRT-11 considerar a greve abusiva e determinar o retorno dos veículos. Conforme informação divulgada pelo g1, passageiros nos terminais 4 e 5 relataram os transtornos causados pela paralisação, muitos precisando recorrer a carros por aplicativo para se locomover e expressando preocupação com futuras interrupções.
Impacto nos Passageiros e Gastos Extras
O estudante Renan relatou dificuldades em encontrar ônibus após sair da escola na segunda-feira, o que o forçou a utilizar um aplicativo de transporte. Ele comentou sobre o aumento dos preços em situações de greve, tornando a situação mais complicada. Nesta terça, ele saiu de casa apreensivo, mas observou que a circulação de ônibus parecia normal.
O trabalhador da construção civil Elias também enfrentou gastos inesperados. Ele precisou desembolsar R$ 65 para retornar da Ponta Negra até a Zona Leste de Manaus, valor que comprometeu boa parte de sua renda diária. Elias destacou o prejuízo financeiro, afirmando que o dia anterior foi praticamente dedicado a pagar pelo transporte via Uber para chegar em casa.
Nesta terça-feira, Elias expressou o desejo de que não ocorra uma nova paralisação, pois novas greves representariam mais um prejuízo financeiro. A incerteza sobre a continuidade do serviço afeta diretamente o cotidiano e o bolso dos trabalhadores e estudantes da capital amazonense.
Motivação da Paralisação e Dívida do Passe Livre
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. O presidente da entidade, Givancir Oliveira, alegou que as empresas de ônibus descumpriram os prazos de pagamento estabelecidos pela Justiça. Uma liminar do TRT-11, concedida no início do mês, determinava que 40% dos salários fossem pagos até o dia 20 de cada mês, ou no dia útil anterior, e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. O sindicato afirma que este prazo não foi cumprido na segunda-feira (20).
Além da questão salarial, o Sinetram apontou que o passe livre estudantil em Manaus pode ser afetado por uma dívida de R$ 90,1 milhões. Esses valores se referem a repasses do benefício e envolvem o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus. O sindicato alega que as 10 empresas que operam o transporte coletivo na cidade enfrentam dificuldades financeiras, e a falta desses repasses impacta a manutenção do serviço.
O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, ressaltou que a continuidade da gratuidade para estudantes depende do pagamento dos valores em aberto. O g1 buscou contato com a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para obter um posicionamento sobre as pendências financeiras apontadas pelo Sinetram e aguarda retorno.