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Amazonas

Castanha-da-Amazônia: A Semente Dourada que Transforma Vidas e Impulsiona a Economia Sustentável em Amaturá, Amazonas

Castanha-da-Amazônia: A Semente Dourada que Transforma Vidas e Impulsiona a Economia Sustentável em Amaturá, Amazonas

Amaturá, AM – A castanha-da-amazônia, um tesouro da floresta, está impulsionando a renda de dezenas de famílias e fortalecendo a economia sustentável no município de Amaturá, localizado no extremo oeste do Amazonas. A atividade, que abrange desde a coleta na mata até o beneficiamento e comercialização do produto, tornou-se uma das principais fontes de sustento para a população local, aliando geração de renda à preservação ambiental.

A produção de castanha-da-amazônia no Amazonas tem se destacado nacionalmente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado foi o maior produtor do país em 2024. Em Amaturá, essa cadeia produtiva tem cerca de 20 anos de história, com produtores dedicados ao beneficiamento da amêndoa para agregar valor antes da venda.

A coleta começa nas áreas de floresta e sítios do município, onde as imponentes castanheiras, árvores que podem atingir até 60 metros de altura, frutificam. A quantidade de ouriços, que são os frutos da castanheira e podem conter até 20 castanhas cada, varia conforme a idade da árvore e as condições climáticas, podendo chegar a cerca de 400 ouriços por safra.

O período de colheita geralmente ocorre entre janeiro e julho. Os castanheiros recolhem os ouriços que caem naturalmente no chão da floresta. Cada ouriço é cuidadosamente recolhido, e o trabalho de transporte é feito com cestos artesanais até os locais de beneficiamento. Para Raimundo Ribeiro, um dos castanheiros da região, essa atividade representa uma importante fonte de renda para sua família.

Do extrativismo ao beneficiamento na Aprocam

Após a coleta, as sementes são retiradas dos ouriços e encaminhadas para a Associação de Produtores e Beneficiadores da Castanha de Amaturá (Aprocam). Atualmente, a Aprocam conta com cerca de 60 funcionários e recebe o apoio crucial de famílias ribeirinhas, que desempenham um papel fundamental tanto na coleta quanto na comercialização da produção.

O processo que agrega valor à castanha de Amaturá

Na agroindústria da Aprocam, as castanhas passam por um rigoroso processo de beneficiamento. Inicialmente, são secas para reduzir a umidade, o que é essencial para evitar o surgimento de fungos e garantir a qualidade do produto. Em seguida, as castanhas são triadas, quebradas e selecionadas manualmente.

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Após a seleção, as amêndoas passam por um tratamento térmico em autoclave, um método que assegura a segurança alimentar e a durabilidade da castanha. Finalmente, após serem devidamente embaladas, as castanhas de Amaturá estão prontas para serem distribuídas e comercializadas, tanto dentro quanto fora do estado do Amazonas.

Sustentabilidade e tecnologia como pilares do sucesso

Segundo Aurélio Santos Lucas, presidente da Aprocam, o extrativismo da castanha-da-amazônia em Amaturá é um exemplo vivo de como é possível aliar a geração de renda com a preservação ambiental. A atividade incentiva a conservação da floresta, pois a castanheira é valorizada em pé.

Tarciana de Carvalho Coutinho, diretora do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destaca a importância do modelo de Amaturá. Ela ressalta que a experiência demonstra como a aplicação de tecnologia e o beneficiamento adequado podem aumentar significativamente o valor dos produtos da floresta, sem comprometer a conservação ambiental.

A pesquisadora acredita que este modelo de negócio sustentável pode ser replicado em outros municípios do interior do Amazonas. Para isso, é fundamental respeitar as características e as potencialidades específicas de cada região, adaptando as práticas para maximizar os benefícios econômicos e ambientais.

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