Mais de 86 horas após vazamento de gás tóxico, tanque de empresa segue sob resfriamento em Manaus
A operação de resfriamento de um tanque de armazenamento de monômero de estireno na fábrica da Innova, em Manaus, continua neste domingo (19), ultrapassando as 86 horas desde o início do incidente. O vazamento, classificado como uma emergência química, ocorreu na quarta-feira (15) e liberou um gás considerado tóxico, gerando preocupação e afetando a população local.
Equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) trabalham incessantemente para controlar a situação, utilizando equipamentos a laser para monitorar a temperatura interna do tanque e realizando o resfriamento externo. Além disso, procedimentos de sucção interna do gás estão sendo executados para mitigar os riscos.
O incidente já resultou em multas expressivas para a empresa Innova, somando mais de R$ 22,4 milhões. A Prefeitura aplicou sanções que totalizam cerca de R$ 9,9 milhões por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) adicionou uma multa de R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental. Conforme divulgado pelo g1, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 213 pessoas receberam atendimento médico relacionado ao incidente, com um paciente em UTI já transferido para enfermaria.
Moradores relatam sintomas alarmantes após vazamento de monômero de estireno
A liberação do monômero de estireno, substância utilizada na fabricação de plásticos e borrachas, causou mal-estar em moradores e trabalhadores das proximidades da fábrica da Innova. Relatos apontam sintomas como náusea, dor de cabeça, irritação nos olhos, aperto na garganta, falta de ar e diarreia. A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, descreveu a persistência do forte odor na região, afirmando ter mantido sua casa fechada para evitar a inalação.
Luiz Ferreira, ajudante de caminhão que atua em uma empresa próxima, também apresentou sintomas, assim como colegas de trabalho. Os relatos são compatíveis com os efeitos da exposição ao monômero de estireno, conforme alertado pela chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. Segundo a especialista, a inalação da substância pode causar irritações e outros desconfortos.
Alerta de risco ambiental e continuidade da produção
A pesquisadora Karime Bentes explicou que o estireno, armazenado em estado líquido, evapora rapidamente, espalhando-se como gás e atingindo grandes distâncias. Ela também ressaltou o risco de formação de compostos nocivos em caso de chuva, que pode reagir com o produto e aumentar a contaminação ambiental. Apesar dos riscos, a empresa Innova manteve a produção ininterrupta por pelo menos 48 horas após o vazamento para esvaziar o tanque afetado, conforme informado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Operação de contenção e investigação das causas
O perímetro de isolamento de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa permanece mantido por medida de segurança. A principal hipótese investigada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) para o incidente é de uma reação espontânea no interior do tanque. O vazamento ocorreu às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova, e o forte odor levou à evacuação imediata de um shopping nas proximidades.