Gás tóxico de fábrica em Manaus preocupa moradores; especialista explica riscos de contaminação e 149 pessoas já buscaram atendimento médico
Um vazamento de monômero de estireno em uma fábrica de Manaus gerou grande preocupação entre os moradores da capital amazonense. A substância, classificada como tóxica por especialistas, pode se espalhar por longas distâncias, especialmente em determinadas condições climáticas. O incidente levou 149 pessoas a procurarem atendimento médico com sintomas diversos.
A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou que o monômero de estireno é um produto químico perigoso, utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e isopor. Em contato com o ar, pode se tornar um gás que se dispersa facilmente, representando riscos à saúde e ao meio ambiente.
O vazamento ocorreu na quarta-feira (15) após uma elevação anormal de temperatura em um dos tanques da empresa Innova. A empresa classificou o episódio como uma “emergência química”. Conforme divulgado pelo g1, os órgãos de segurança pública, saúde, meio ambiente e Defesa Civil seguem atuando no controle e prevenção dos impactos.
Entenda os riscos do monômero de estireno
Karime Bentes detalhou que o monômero de estireno, quando em estado gasoso, pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta. Sintomas como dores de cabeça, tontura e náuseas também podem ocorrer em pessoas expostas à substância. A especialista ressaltou que, originalmente líquido, o produto se torna mais volátil ao virar gás.
A possibilidade de chuva ácida após o vazamento foi abordada pela especialista. Segundo Karime Bentes, se a concentração de estireno na atmosfera for alta, a água da chuva pode reagir com o gás, formando compostos nocivos e até mesmo estireno líquido. Essa reação representa um **risco de contaminação para o meio ambiente, fauna e flora**.
Atendimento médico e monitoramento ambiental
A Secretaria de Saúde do Amazonas informou que 149 pessoas buscaram atendimento em unidades de saúde após o incidente. Os sintomas mais relatados foram falta de ar, náuseas, dor de cabeça, tontura e desmaio. Do total de atendidos, 140 receberam alta com orientações médicas, enquanto oito permanecem internados.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) está acompanhando o Plano de Ação de Emergência (PAE) da empresa e fiscalizando as medidas adotadas para minimizar os impactos ambientais. O Corpo de Bombeiros informou que 80% do material ainda expelido do tanque é composto por partículas de água, o que pode auxiliar no controle da dispersão dos vapores de estireno.
Ações de controle e prevenção em andamento
As autoridades e a empresa Innova trabalham em conjunto para controlar a situação e prevenir maiores danos. O monitoramento contínuo da qualidade do ar e a assistência às pessoas afetadas são prioridades. A rápida resposta dos órgãos competentes é fundamental para mitigar os efeitos do vazamento do gás tóxico.
A população é orientada a seguir as recomendações das autoridades de saúde e defesa civil. A atenção a possíveis sintomas e a comunicação de qualquer anormalidade são essenciais para garantir a segurança de todos diante deste incidente com o monômero de estireno.