PF ainda não conclui inquérito de suposta compra de votos envolvendo David Almeida após fim do prazo judicial
A Polícia Federal (PF) ainda não finalizou o inquérito que investiga uma suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Manaus. O caso, que cita o ex-prefeito David Almeida, pastores ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil e seu genro, Gabriel Alexandre da Silva Lima, ultrapassou o prazo de 90 dias concedido pela Justiça Eleitoral para a conclusão das diligências.
O delegado responsável pela investigação solicitou uma prorrogação em março deste ano, com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e autorização judicial no início de abril. O prazo expirou em 8 de julho, mas o inquérito permanece sem conclusão até o momento. A investigação, que tramita publicamente na Justiça Eleitoral sob o número 0600044-07.2024.6.04.0002, gera indignação em pessoas próximas ao caso.
Conforme informações de uma fonte que pediu anonimato, os pastores investigados teriam papéis distintos na estrutura da igreja e as negociações de valores ocorreriam fora da instituição religiosa. A versão da fonte, que relata a atuação do pastor Bernardino Gomes como secretário e de Eliezer Souza como articulador, não constitui conclusão da investigação da Polícia Federal. Conforme apurado, a PF ainda pretendia ouvir os pastores Bernardino Gomes e Eliezer Souza, além de Gabriel Alexandre da Silva Lima, que aparecem juntos em uma foto nos autos do processo.
Início da investigação e apreensões na véspera do segundo turno
A investigação teve início na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024. A Polícia Federal recebeu uma denúncia acompanhada de uma mensagem atribuída à direção da igreja, que orientava pastores a comparecerem a um imóvel no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. No local, policiais encontraram envelopes com dinheiro totalizando mais de R$ 21 mil em espécie e quatro celulares.
As pessoas presentes informaram que os valores, parte de R$ 38 mil recebidos para distribuição, teriam sido entregues na noite anterior. Segundo os depoimentos, o dinheiro teria sido levado ao local pelo pastor Eliezer Souza, e seria destinado a pessoas ligadas à campanha do então ex-prefeito David Almeida. Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante, mas pagaram fiança e respondem em liberdade.
Análise de celulares e novas prorrogações de prazo
Dois dos quatro celulares apreendidos permaneceram sob análise da Polícia Federal. O laudo pericial, juntado ao processo em março deste ano, foi crucial para a solicitação de mais 90 dias de prorrogação para a conclusão das diligências. A análise dos aparelhos identificou trocas de mensagens e áudios entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima.
O laudo também descreve uma foto de uma “pessoa palestrando”, identificada pela fonte como César Marques, presidente do partido Agir no Amazonas. Ele aparece em outra foto ao lado de Gabriel Alexandre da Silva Lima e dos pastores citados. Segundo a fonte, Marques teria participado de uma reunião para pedir votos.
Silêncio das partes e aguardo da conclusão da PF
David Almeida, Gabriel Alexandre da Silva Lima, os pastores Bernardino Gomes e Eliezer Souza, César Marques e a direção da Igreja Pentecostal Unida do Brasil não retornaram os contatos da reportagem. A Polícia Federal, o Ministério Público Eleitoral e o TRE-AM também não se manifestaram sobre os motivos da demora na conclusão do inquérito e o andamento das diligências pendentes.