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Política

Governo Lula Repudia “Intervenção” de Flávio Bolsonaro nos EUA e Liga Atuação a Caso Master

Governo Lula Repudia “Intervenção” de Flávio Bolsonaro nos EUA e Liga Atuação a Caso Master

Governo Lula repudia “intervenção” de Flávio Bolsonaro nos EUA e liga atuação a Caso Master

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com veemência à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública nos Estados Unidos. A audiência, promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), discutiu a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil.

Em nota oficial, o Planalto classificou a ida do senador como uma “intervenção” e criticou a forma como Flávio Bolsonaro abordou o tema, acusando o presidente Lula de usar as tarifas a seu favor em um ano eleitoral.

A manifestação do governo brasileiro, divulgada nesta terça-feira (7), enfatiza que a investigação americana é considerada injusta e aponta falhas na argumentação do senador. O Planalto citou especificamente a menção ao escândalo do “Caso Master”, ressaltando que Flávio Bolsonaro omitiu seu próprio envolvimento e as ligações com Daniel Vorcaro, dono do banco investigado.

Críticas à Omissão e ao “Caso Master”

O governo Lula destacou que, ao citar o “Caso Master”, o maior esquema de corrupção da história do país, Flávio Bolsonaro “esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro”. Segundo a nota, o senador teria solicitado mais de R$ 130 milhões a Vorcaro para, supostamente, produzir um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro havia argumentado na audiência que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros beneficiaria Lula na disputa eleitoral e que o momento atual seria “o pior” para tal medida. Ele sugeriu o adiamento da discussão para após as eleições brasileiras, visando evitar o uso político da questão.

Em contrapartida, a nota do governo brasileiro ressalta que, entre os 34 brasileiros inscritos na audiência, Flávio Bolsonaro foi o único a não se posicionar contra as medidas impostas ao Brasil. Em vez disso, ele optou por sugerir o adiamento, com um “claro objetivo eleitoreiro”, segundo o Planalto.

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“Traição à Pátria” versus Oposição Legítima

O governo argumenta que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, em vez de rebater as alegações americanas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, justificou sua participação como parlamentar brasileiro e figura proeminente da oposição, criticando a ausência de representantes oficiais do governo brasileiro no evento.

A avaliação interna do Planalto é que o Brasil não deveria enviar representantes oficiais para não legitimar a investigação americana, da qual o governo Lula se opõe. A nota oficial foi enfática ao diferenciar oposição legítima de ações prejudiciais ao país: “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”.

Investigação Americana e Negociações em Andamento

O USTR investiga o Brasil sob a Seção 301 por supostas práticas desleais desde julho do ano passado. Em 1º de junho, o escritório anunciou a conclusão da investigação, que analisou temas como sistemas de pagamento (incluindo o Pix), desmatamento ilegal, big techs e corrupção, sugerindo um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

Audiências em Washington buscam coletar posicionamentos de entidades interessadas após a divulgação do resultado da Seção 301. O governo brasileiro, por meio de ministros e técnicos, tem se reunido com representantes americanos para reverter as taxações, evidenciando um longo período de negociações entre os dois países desde o início das taxações em julho de 2025.

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