Entenda a crise de Ebola no Congo: Bebê é a mais nova vítima em meio a surto alarmante com mais de 900 casos e 245 mortes confirmadas.
Moradores, religiosos e profissionais de saúde se reuniram nesta sexta-feira (19) para o enterro de uma bebê de 6 meses que morreu de ebola no leste da República Democrática do Congo. A criança é a terceira vítima da doença em um orfanato na região de Ituri, atual epicentro do maior surto registrado no país nos últimos anos.
Durante a cerimônia, o pequeno caixão foi levado à sepultura por agentes de saúde usando máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção. Conforme o protocolo para evitar novas transmissões, apenas profissionais treinados puderam manusear o corpo da bebê.
A cena ilustra um dos desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias: conciliar medidas rigorosas de controle da doença com tradições locais ligadas aos rituais de despedida. Em surtos anteriores, funerais e sepultamentos estiveram entre os principais focos de transmissão do vírus. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde do Congo.
Desafios no controle do surto de Ebola
Segundo o ministro da Saúde do Congo, Roger Kamba, o atual surto já acumula **933 casos confirmados e 245 mortes**. Mais de 90% dos registros estão concentrados na província de Ituri, embora casos também tenham sido identificados nas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul. O vírus também ultrapassou as fronteiras do país, com Uganda confirmando 19 infecções e duas mortes relacionadas ao surto.
Variante sem vacinas dificulta combate ao Ebola
O atual surto é causado pela **variante Bundibugyo do ebola**, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados. Diferentemente da cepa Zaire, responsável pela maioria dos surtos registrados no Congo e alvo das vacinas atualmente disponíveis, a variante que circula agora possui menos ferramentas de controle. Especialistas afirmam que a ausência de imunizantes e tratamentos específicos dificultou a resposta inicial e contribuiu para a expansão da doença.
Dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças indicam que cerca de **35 mil pessoas** podem ter sido expostas ao vírus e estão sendo monitoradas. A situação exige atenção redobrada das autoridades de saúde pública.
Obstáculos logísticos e sociais na luta contra o Ebola
Além dos desafios médicos, a resposta ao surto enfrenta obstáculos logísticos e sociais. Em algumas comunidades, moradores resistem às medidas de isolamento e aos protocolos de sepultamento seguro. Profissionais de saúde também relatam escassez de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas, o que dificulta o trabalho de contenção. A colaboração comunitária é essencial.
Durante visita a Bunia, principal cidade da região afetada, o ministro Roger Kamba anunciou que todos os serviços de saúde em Ituri passarão a ser gratuitos e que os bônus pagos aos profissionais da área serão dobrados como forma de reforçar a resposta à emergência. Medidas de apoio são fundamentais.
Embora a velocidade de propagação preocupe as autoridades, o surto ainda está distante da escala observada na epidemia de ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e deixou mais de 11 mil mortos. A comunidade internacional acompanha de perto a evolução da crise sanitária no Congo.
