Meloni rebate Trump e nega ter “implorado” por foto, acusando-o de inventar histórias

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reagiu com firmeza às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou em entrevista a um canal de TV italiano que Meloni o havia “implorado” para tirar uma foto durante a cúpula do G7. Meloni classificou as alegações como “completamente inventadas” e expressou sua surpresa com a atitude de Trump.

Meloni também criticou a postura de Trump em relação aos aliados, sugerindo que ele demonstra mais deferência aos inimigos do Ocidente do que aos parceiros históricos. A premier italiana enfatizou que nem ela nem a Itália jamais “imploraram” por atenção ou favores.

Essa troca de farpas ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois líderes, que já foram considerados aliados próximos. A relação, que antes se baseava em posições ideológicas semelhantes, como o combate à imigração ilegal e críticas a agendas progressistas, parece ter se deteriorado significativamente.

O início do distanciamento e as críticas ao Papa

O clima de animosidade entre Meloni e Trump começou a mudar meses antes. Um ponto de atrito recente foi a crítica de Meloni às falas de Trump sobre o Papa Francisco, a quem o ex-presidente chamou de “fraco”. Meloni considerou “inaceitáveis” as palavras de Trump, defendendo o papel do Papa em pedir paz.

A resposta de Trump não tardou. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, ele disse estar “chocado” com a postura da líder italiana e questionou sua coragem. Essa discordância pública marcou um novo capítulo no distanciamento entre os dois.

Análises apontam estratégia política de Meloni

Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times sugerem que Meloni pode estar aproveitando as crises para sinalizar um afastamento estratégico de Trump para seu público interno. Pesquisas indicam um aumento na impopularidade de ambos entre eleitores italianos, o que poderia levar Meloni a buscar se desvincular da imagem de Trump.

O histórico de proximidade entre Meloni e Trump remonta a antes de sua ascensão ao poder na Itália. Ela recebeu Stephen Bannon, ex-conselheiro de Trump, em 2018 e participou de eventos conservadores nos EUA, onde discursou no mesmo dia que o ex-presidente. Meloni chegou a ser vista como um nome de confiança dos EUA na Europa.

Tensões sobre comércio, Groenlândia e o Irã

As divergências começaram a se acentuar com a imposição de tarifas comerciais por Trump a países europeus, uma decisão que Meloni considerou equivocada. Posteriormente, a proposta de Trump de anexar a Groenlândia também gerou desconforto, com Meloni tentando equilibrar um tom conciliador com uma posição mais firme.

A participação italiana na operação no Irã também gerou controvérsia. A falta de aviso prévio aos italianos, enquanto outros aliados europeus foram informados, causou constrangimento e críticas da oposição. Meloni, diante da repercussão negativa e do aumento dos preços de energia, passou a condenar a guerra e a afirmar que a Itália não participaria do conflito, inclusive negando o uso de uma base aérea na Sicília para operações de combate.

Romper com Trump como estratégia eleitoral

Especialistas acreditam que Meloni pode ter visto na crise com o Papa e em outras divergências uma oportunidade para romper definitivamente com Trump. Essa estratégia visaria mudar a percepção de eleitores italianos que se mostram incomodados com a relação próxima entre a premier e o ex-presidente americano.

A decisão de não renovar um acordo de defesa com Israel, após disparos de advertência atingirem um comboio italiano no Líbano, também é vista por analistas da Associated Press como um movimento mais motivado pela política interna italiana do que por uma mudança estratégica nas relações exteriores.

Apesar da crise pessoal entre Meloni e Trump, o ministro das Empresas italiano, Adolfo Urso, afirmou que as relações entre Itália e Estados Unidos não serão abaladas. Ele ressaltou que ambos os países são aliados históricos e mantêm suas relações dentro das instituições internacionais, como a OTAN. No entanto, Trump insistiu que a relação entre os dois países se deteriorou, classificando-a como “negativa”.