Lula na Europa: Cúpula do G7 terá foco em tarifas dos EUA, agro e minerais críticos com participação brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, sua agenda internacional na Europa, com desembarque na Suíça. Sua primeira atividade oficial foi um encontro com o presidente suíço Guy Parmelin em Genebra. O objetivo principal da viagem é a participação na cúpula do G7, que acontecerá em Évian-les-Bains, na França, a partir desta terça-feira. Lula tem previsão de retorno ao Brasil na próxima quinta-feira, 18 de junho.

Durante sua estadia na França, a delegação brasileira buscará articulações importantes. Uma das prioridades é a tentativa de viabilizar um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O foco dessa possível reunião seria a reversão ou, ao menos, a amenização da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA no início de junho. Essa medida comercial tem gerado preocupação no setor produtivo nacional.

A pauta brasileira na cúpula do G7, conforme informações divulgadas, não se limita à questão tarifária. Lula também tem agendados encontros com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este último será o primeiro contato entre Lula e a líder japonesa, que assumiu o cargo em outubro de 2025. Além disso, o Brasil tentará reverter a proibição de importação de diversos produtos agropecuários brasileiros pela União Europeia, que tem previsão de entrar em vigor em setembro deste ano.

Agenda brasileira na Cúpula do G7

A participação de Lula na cúpula do G7 se estenderá por dois dias, com foco em debates sobre parcerias internacionais, desenvolvimento global e a busca por um crescimento econômico mais equilibrado. O presidente brasileiro pretende **cobrar dos países ricos a manutenção do financiamento** para iniciativas cruciais voltadas ao combate à pobreza e ao fomento do desenvolvimento em economias emergentes, como o Brasil.

Outro ponto estratégico na agenda é a discussão sobre a exploração de **minerais críticos**, incluindo as terras-raras. O Brasil defenderá uma maior valorização desses recursos naturais nos próprios países onde são extraídos, uma posição que, segundo o governo, está diretamente ligada à defesa da **soberania nacional**. Esta marca a 10ª participação de Lula em cúpulas do G7 como convidado, uma vez que o Brasil não é membro do grupo e, portanto, não participa das negociações dos documentos finais, podendo apenas aderir aos textos de interesse após sua aprovação.

Discussões sobre comércio e desenvolvimento

Na terça-feira, 16 de junho, Lula participará da sessão dedicada a parcerias internacionais, um tema central para a cooperação global. Já na quarta-feira, 17 de junho, a programação prevê debates sobre crescimento econômico equilibrado. Haverá também um almoço com representantes do setor de tecnologia para discutir os avanços e desafios da inteligência artificial, além de potenciais reuniões bilaterais com líderes de outras nações presentes no evento.

A delegação brasileira reforça a importância de reverter a proibição europeia sobre produtos agropecuários, que entra em vigor em setembro. A medida impacta diversas cadeias produtivas e a expectativa é que a diplomacia brasileira atue intensamente para reverter essa decisão, buscando um diálogo construtivo com os parceiros europeus.

Brasil busca maior valorização de minerais críticos

A defesa da soberania nacional e a busca por maior valorização dos recursos minerais extraídos no Brasil serão temas centrais na participação do presidente Lula na cúpula do G7. A discussão sobre minerais críticos, como as terras-raras, visa garantir que o país obtenha os devidos benefícios econômicos e tecnológicos da exploração desses materiais estratégicos, que são fundamentais para diversas indústrias de alta tecnologia.

A posição brasileira busca um modelo de desenvolvimento mais justo e equitativo, onde os países detentores de recursos naturais possam agregar valor e gerar empregos localmente. Essa abordagem visa fortalecer a economia brasileira e consolidar o país como um ator relevante no cenário global de suprimentos de minerais críticos, essenciais para a transição energética e a inovação tecnológica.