Lula no G7: Brasil busca diálogo e critica protecionismo dos EUA em meio a rumores de encontro com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Évian-les-Bains, na França, nesta segunda-feira (15), para participar da reunião de líderes do G7, que acontece nesta terça-feira (16). O Brasil, embora não seja membro do grupo das sete maiores economias do mundo, tem sido convidado para encontros desde o retorno de Lula ao poder, em 2023. A presença de Lula no evento é uma oportunidade para discutir temas globais e também para tratar de questões bilaterais.

O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula. Contudo, não há uma reunião bilateral previamente agendada entre os dois líderes. A estratégia do Palácio do Planalto foi garantir a chegada de Lula ainda no primeiro dia do evento, considerando que Trump pode participar apenas da abertura, repetindo o cenário do encontro do G7 no Canadá no ano passado.

A possível reunião ocorre em um momento de tensões comerciais entre Brasil e EUA, com uma nova ofensiva americana contra produtos brasileiros que pode elevar a carga total de tarifas a 37,5%. Conforme informações divulgadas, o governo brasileiro avalia que a proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação. Já a sobretaxa de 12,5%, ligada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista como uma decisão praticamente consolidada pela equipe brasileira.

Agenda e expectativas de Lula no G7

Durante sua participação no G7, Lula terá uma agenda repleta de compromissos. Está prevista uma reunião com o anfitrião do encontro, o presidente francês Emmanuel Macron, ainda na segunda-feira (15). Na sequência, o presidente brasileiro deve se encontrar com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Na terça-feira (16), estão agendadas reuniões bilaterais com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia de chegada à cúpula do G7. Lula também manifestou o desejo de conversar com os líderes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido, que completam o grupo.

Brasil contra o protecionismo e o unilateralismo

Lula pretende adotar um tom crítico ao **protecionismo**, que se refere a medidas adotadas por um país para proteger seus produtores locais em detrimento de estrangeiros, e ao **unilateralismo**, caracterizado por ações de um país contra outro sem comunicação prévia ou negociação. Segundo diplomatas, Lula transmitirá aos líderes do G7 sua oposição ao tarifamento imposto pelo governo americano, mas sem um confronto direto.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil em uma reunião preparatória para o G7, onde defendeu que organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) precisam ter mais força para atuar diante de um cenário econômico global com medidas unilaterais, como o tarifamento dos EUA.

Inteligência artificial e regras para empresas de tecnologia

Uma das pautas centrais do G7 será um almoço para debater o tema da **inteligência artificial**. Lula deve argumentar que o Brasil não persegue plataformas digitais nem discrimina nenhuma delas. Ele afirmará que o país está aberto a receber as operações de empresas de tecnologia, desde que estas atuem em conformidade com as leis brasileiras.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) justificou recentemente o tarifamento contra o Brasil alegando, entre outros pontos, que o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia. Essa alegação é vista pelo governo brasileiro como um dos pontos que podem ser negociados para reverter a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais.