Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, foi condenado a quatro anos de prisão por estupros e outros crimes graves. A decisão judicial, anunciada nesta segunda-feira (15), encerra um longo processo que expôs detalhes íntimos e controversos da vida do jovem, de 29 anos, e gerou grande repercussão no país nórdico.
O veredicto considerou Marius Borg Hoiby culpado de dois estupros, maus-tratos repetidos contra uma ex-companheira, ameaças e infrações de trânsito. Ele foi absolvido em outras duas acusações de estupro, em um caso que envolveu quatro mulheres e abalou a imagem da família real norueguesa, da qual ele não possui cargo oficial.
Hoiby, que estava em prisão preventiva desde fevereiro, negou as acusações mais graves, incluindo os estupros e os maus-tratos. No entanto, admitiu culpa em delitos como o transporte de 3,5 quilos de maconha, lesões corporais e ameaças, conforme relatado pela imprensa local. As investigações apontam que os estupros teriam ocorrido após festas regadas a álcool e entorpecentes.
O julgamento, realizado entre fevereiro e março, revelou um estilo de vida de excessos por parte de Marius Borg Hoiby. Ele próprio declarou durante o processo que, por se sentir sempre à sombra da mãe, a princesa Mette-Marit, desenvolveu uma “necessidade extrema de reconhecimento”, o que se traduziu em “muito sexo, muita droga e muito álcool”.
A vida de excessos e a busca por reconhecimento
Marius Borg Hoiby, filho de um relacionamento anterior da princesa Mette-Marit, enfrentou um total de 40 acusações, com uma pena máxima que poderia chegar a 16 anos de prisão. A promotoria havia solicitado sete anos e sete meses de reclusão, enquanto a defesa pedia a absolvição nos casos de estupro e uma pena menor para os demais delitos. O jovem, que não compareceu à leitura da sentença por motivos de saúde não especificados, acompanhou o veredicto por videoconferência da penitenciária.
O debate sobre o consentimento e a percepção do réu
O cerne do debate judicial girou em torno do estado de consciência das supostas vítimas e da percepção de Marius Borg Hoiby no momento dos fatos. A acusação descreveu o réu como alguém “que acha que tudo lhe é permitido”. Segundo a versão apresentada, os estupros teriam ocorrido após relações sexuais consentidas, com atos ilegais cometidos quando as jovens pareciam estar adormecidas. Hoiby, apesar de admitir lapsos de memória, insistiu que não tinha o costume de manter relações sexuais com mulheres dormindo.
Impacto na monarquia e escândalos anteriores
Embora Marius Borg Hoiby não tenha um papel oficial na família real norueguesa, o caso gerou preocupações sobre o impacto na imagem da monarquia, que, apesar de ainda ter apoio popular considerável, tem enfrentado outros escândalos. Entre eles, destacam-se as revelações sobre a correspondência entre a princesa Mette-Marit e o condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein entre 2011 e 2014. O caso de Hoiby também se soma a outras controvérsias que afetam a percepção pública da realeza nórdica.
Detenção inicial e provas apresentadas
O caso veio à tona em 4 de agosto de 2024, quando Hoiby foi detido sob a acusação de ter agredido sua companheira na noite anterior, em Oslo. Na ocasião, a imprensa divulgou fotos de uma faca cravada em uma parede e de uma luminária quebrada. Outras mulheres, incluindo a influencer Nora Haukland, relataram ter sido vítimas de violência física e psicológica. Durante as investigações, vídeos que supostamente documentavam os estupros foram encontrados nos dispositivos eletrônicos de Hoiby.