Torcedores do Irã e Haiti vetados nos EUA para a Copa: entenda a proibição de entrada

A participação de torcedores do Irã e Haiti na Copa do Mundo, sediada em parte nos Estados Unidos, tornou-se um desafio logístico e humanitário. Uma ordem executiva assinada pelo então presidente Donald Trump em junho de 2025 proibiu a entrada de cidadãos de 19 países, incluindo Irã e Haiti, por motivos de segurança nacional. Apesar das isenções para atletas e familiares próximos, a medida gera apreensão para milhares de fãs que sonhavam em acompanhar seus países no evento.

A decisão, que visava prevenir ataques terroristas, agora impacta diretamente a experiência de torcedores que vivem em território americano ou que planejavam viajar para apoiar suas seleções. A situação se agrava com relatos de medo entre comunidades imigrantes, especialmente haitianos, de serem detidos por agentes de imigração ao simplesmente comparecerem aos jogos. A Human Rights Watch aponta um caso de deportação de um solicitante de asilo após assistir a uma partida, aumentando o temor.

Grupos de direitos civis alertam para o risco de graves violações de direitos humanos, incluindo negação de entrada, detenção, encarceramento, deportação e discriminação racial. A Casa Branca, por sua vez, nega a existência de riscos para aqueles que estão legalmente nos EUA. A FIFA declarou estar comprometida com o respeito aos direitos humanos. Essas informações foram divulgadas pela Agence France-Presse (AFP).

O Decreto Presidencial e suas Consequências

A ordem que restringe a entrada de cidadãos do Irã e Haiti nos Estados Unidos foi uma das medidas mais controversas da gestão Trump. A lista original incluía 19 países, e a participação dessas nações na Copa do Mundo expôs as complexidades da aplicação dessa política em eventos de grande porte. A Casa Branca, no entanto, estabeleceu exceções para atletas, treinadores e familiares diretos, além de residentes permanentes e cidadãos com dupla nacionalidade.

Dificuldades da Seleção Iraniana e o Impacto nos Torcedores

No caso do Irã, a situação foi intensificada por tensões geopolíticas recentes entre o país e os Estados Unidos. Embora os atletas tenham recebido vistos, parte da comissão técnica teve a entrada barrada. A seleção iraniana optou por estabelecer sua base de treinamento no México, em Tijuana. Além disso, a Federação de Futebol do Irã teve sua cota de ingressos para a Copa revogada, uma medida que vai contra o regulamento da FIFA, que reserva 8% das entradas para as federações participantes.

Medidas para Outros Países Africanos e o Medo de Imigrantes

Para torcedores de outros cinco países africanos que também estarão na Copa – Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia – os EUA suspenderam a exigência de uma caução de até US$ 15 mil (aproximadamente R$ 75 mil), válida apenas para aqueles com ingressos para o Mundial. Para imigrantes já residentes nos EUA, o medo é palpável. Muitos temem ser detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ao comparecerem aos jogos, mesmo possuindo ingressos legítimos. O temor é especialmente forte em comunidades latino-americanas e haitianas nos EUA.

Alerta de Direitos Humanos e a Posição da FIFA

Mais de 120 organizações de direitos civis dos Estados Unidos emitiram um alerta de viagem em abril, advertindo sobre o risco de graves violações de direitos contra visitantes da Copa. O alerta menciona a possibilidade de entrada negada, detenção, encarceramento, deportação e tratamento cruel ou degradante. Em resposta, a FIFA afirmou à AFP seu compromisso com o respeito aos direitos humanos internacionalmente reconhecidos e o esforço para promovê-los. A entidade busca garantir um ambiente seguro e inclusivo para todos os envolvidos no torneio.