Filme sobre Bolsonaro: Produtora alega R$ 75 milhões em gastos e levanta suspeitas sobre financiamento

A produtora Go Up Entertainment declarou em perícia judicial ter desembolsado a expressiva quantia de R$ 75 milhões para a realização do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação, divulgada pelo portal Metrópoles, detalha que a maior parte dos investimentos ocorreu nos Estados Unidos, com R$ 54,2 milhões, e R$ 20,9 milhões foram aplicados no Brasil.

Esses números foram apresentados em uma perícia anexa a um processo judicial. O caso investiga o Instituto Conhecer Brasil (ICIF) por suposto desvio de dinheiro. A suspeita é que o ICIF tenha utilizado verbas provenientes de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para financiar a produção do longa-metragem.

A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICIF, é também a dona da Go Up Entertainment, o que intensifica as conexões entre as entidades e levanta questionamentos sobre a origem dos fundos. A investigação busca esclarecer se houve irregularidades no uso de dinheiro público.

Orçamento inicial e negociações em jogo

De acordo com a declaração de gastos da produtora, o orçamento inicial aprovado para “Dark Horse” era de US$ 16 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 89,7 milhões. Este valor, no entanto, é consideravelmente menor do que os R$ 134 milhões que, segundo o Intercept Brasil, teriam sido negociados em 2025 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) indicou que a origem dos recursos financeiros para o filme é privada. A análise se baseou em contratos de investimento, extratos bancários e outros registros financeiros disponibilizados para a investigação, conforme consta no documento.

Conexões internacionais e representação legal

Nos Estados Unidos, o fundo do filme conta com o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC como agente legal. Este escritório pertence ao advogado Paulo Calixto, que também representa o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Eduardo Bolsonaro reside nos EUA desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter articulado sanções contra autoridades brasileiras.

O Poder360 buscou contato com a assessoria do senador Flávio Bolsonaro para obter um posicionamento sobre as informações divulgadas. Até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta. O texto será atualizado caso um comentário seja enviado ao jornal digital.