Ministro da Fazenda, Dario Durigan, destaca a importância da soberania nacional e a proteção de ativos estratégicos como o Pix, em um cenário de tensões comerciais e avanços sociais.

O Brasil reafirma sua posição de independência e defesa de seus interesses no palco mundial. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou enfaticamente que “o Brasil não abaixa a cabeça para ninguém” e que o país defenderá suas políticas econômicas com firmeza.

Essa declaração surge em um momento de desafios, com os Estados Unidos impondo barreiras comerciais e tarifas sobre produtos brasileiros. Durigan ressaltou que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, é um patrimônio estratégico que permanecerá sob controle estatal, blindado contra interferências externas.

As falas foram proferidas durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio do Itamaraty. O evento deste ano tem como tema “Da soberania nacional ao protagonismo global”, sinalizando a ambição brasileira de liderar discussões econômicas e ambientais internacionais. Conforme informação divulgada pelo portal oficial do governo, o presidente Lula celebrou o registro do Pix como marca de alto renome, segurando uma placa com a frase “O Pix é do Brasil”.

Respeito e Liderança no Cenário Internacional

Em suas recentes agendas internacionais, que incluíram reuniões no Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, G20 e G7, Durigan observou um reconhecimento da liderança brasileira. Ele destacou que a comunidade internacional percebe a força do Brasil em debates econômicos, ambientais e de transição energética, e que o país exige ser tratado com igualdade e respeito.

“O Brasil é liderança mundial e a gente não abre mão de ser tratado com respeito e tratar com respeito a todos os países, a todas as outras comunidades e culturas do mundo”, afirmou o ministro. Essa postura demonstra um compromisso com a diplomacia ativa e a defesa dos interesses nacionais.

Avanços Sociais e o Fim da Escala 6×1

Durigan também abordou pautas de forte apelo social, como a questão da escala de trabalho 6×1. Ele argumentou que a manutenção desse modelo perpetua a desigualdade, sobrecarregando trabalhadores de menor remuneração, negros e mulheres que acumulam dupla jornada. Em contraste, setores com escalas mais flexíveis, como a 5×2, concentram salários mais altos e melhores oportunidades educacionais.

“Quem já está na escala 5 por 2 é quem ganha mais, teve tempo e muitas vezes oportunidade familiar de estudar por mais tempo. E quem está na escala 6 por 1 são os trabalhadores mais mal remunerados, trabalhadores negros, mulheres e que ainda acumulam o trabalho com afazeres domésticos e outras responsabilidades, que ficam sobrecarregados”, explicou o ministro.

Em um avanço significativo, a Câmara dos Deputados aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1. A proposta prevê a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem alteração salarial. O cronograma de tramitação no Senado será definido em breve.

Cerco às Apostas Online e Combate ao Crime Organizado

O ministro comparou o tratamento dado às casas de apostas online em gestões anteriores com a atual. Segundo ele, antes, elas “tinham a mesma imunidade que as igrejas”. Atualmente, as bets pagam mais impostos que a média de outros setores empresariais e seus dados são fiscalizados, resultando na derrubada de mais de 30 mil empresas irregulares e na proibição do uso de cartões de crédito para apostas, visando proteger o orçamento familiar.

Durigan também anunciou uma cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com o governo norte-americano para atacar o fluxo financeiro de facções criminosas. A estratégia, operada pela Receita Federal, Coaf e Polícia Federal, visa congelar os ativos do crime organizado, considerado fundamental para “asfixiar esse mal que segue causando graves prejuízos à nossa comunidade”.

Reindustrialização e Crescimento Econômico

O Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Mácio Elias Rosa, apresentou um balanço positivo sobre a reindustrialização do país. Ele destacou o aumento do salário médio e a menor taxa de informalidade da série histórica como resultados da Nova Indústria Brasil. O desemprego caiu para 5,6%, a menor média histórica, com um recorde de 103 milhões de brasileiros empregados formalmente e o maior rendimento médio.

“Esses indicadores sociais só são obtidos porque a indústria voltou a crescer. Cresceu em 2024 com o lançamento da Nova Indústria Brasil, 3,1%. No primeiro quadrimestre, já avançou 1,7%. Por isso, tivemos mais de 7,6 milhões de postos formais no setor”, ressaltou Elias Rosa, evidenciando a força da recuperação industrial brasileira.