TSE suspende pesquisa e petistas reagem com acusações de censura, enquanto Flávio Bolsonaro evita comentários públicos sobre o caso.
A esquerda classificou como censura a recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de suspender a pesquisa Atlas/Bloomberg, que apresentava resultados negativos para Flávio Bolsonaro (PL). A medida gerou um alerta entre os petistas em relação ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Enquanto isso, a direita manteve uma postura discreta, evitando novos comentários sobre a relação do pré-candidato à Presidência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tema que ressurgiu com a polêmica da pesquisa. A decisão do TSE, que atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro, foi vista por alguns como uma tentativa de interferir no debate público.
A polêmica em torno da pesquisa Atlas/Bloomberg e a subsequente suspensão pelo TSE reacenderam o debate sobre a liberdade de imprensa e a influência política nas pesquisas eleitorais. Conforme informações divulgadas, a decisão do TSE ocorreu após 20 dias do pedido de Flávio Bolsonaro, o que, segundo críticos, esvaziou o impacto prático da medida.
Petistas ligam alerta para Kassio Nunes Marques e acusam tentativa de censura
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Flávio Bolsonaro tem enfrentado um “profundo desgaste” após a divulgação de que ele teria pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme. Uczai interpretou a ação do senador como uma tentativa de “atacar o mensageiro” quando não se consegue vencer pelo debate de ideias.
Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) considerou que Flávio Bolsonaro deu um “tiro no pé” ao “pedir censura”, pois isso trouxe de volta a discussão sobre o vazamento de um áudio. A própria sigla de Flávio Bolsonaro, o PL, optou por não dar grande destaque à decisão de Kassio Nunes Marques, que foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Direita adota discrição, mas Flávio Bolsonaro compartilha notícia sobre suspensão
Flávio Bolsonaro compartilhou a notícia da suspensão da pesquisa em suas redes sociais, com a mensagem “TSE suspende pesquisa que induzia respostas contra Flávio Bolsonaro”. No entanto, ele não divulgou notas ou vídeos adicionais sobre o assunto. Alguns deputados bolsonaristas, como Carlos Jordy (PL-RJ), classificaram a pesquisa como “fake”.
Nos bastidores, contudo, o PT demonstra preocupação. Lideranças do partido, que antes acreditavam poder “neutralizar” qualquer proximidade entre Kassio Nunes Marques e o bolsonarismo, agora entendem que o presidente do TSE pode estar sujeito a pressões políticas desse espectro.
Pesquisa Atlas/Bloomberg e o método de coleta de dados sob escrutínio
A pesquisa em questão, encomendada pela Bloomberg, foi divulgada em 19 de maio e é a primeira após a revelação do caso Dark Horse. Ela mostrou Flávio Bolsonaro com uma desvantagem de seis pontos percentuais em um eventual segundo turno contra o presidente Lula. O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio.
A AtlasIntel, em nota, defendeu o rigor científico de sua pesquisa. A empresa esclareceu que a coleta de intenções de voto ocorreu sem a reprodução do áudio polêmico durante a aplicação do questionário. Segundo a Atlas, o material só foi apresentado aos entrevistados em uma etapa posterior, sem a possibilidade de retornar ou alterar respostas.
Argumentos do PL e preocupações do PT com futuras decisões do TSE
A pré-candidatura do PL argumentou que o questionário da pesquisa foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. A sigla sustenta que a ordem das perguntas e a associação entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master “contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”.
Apesar da insatisfação, a cúpula do PT avalia que o partido provavelmente não se envolverá diretamente na discussão. A estratégia seria evitar desgastes com o presidente do TSE em um momento crucial da eleição, especialmente por se tratar de um assunto que não afeta diretamente os petistas.