Amcham alerta para risco de tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros, que podem gerar aumento de custos e afastar investimentos.
A possibilidade de os Estados Unidos implementarem tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros acende um alerta na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). A entidade expressa preocupação com o potencial aumento de custos, a redução da competitividade brasileira e o surgimento de obstáculos significativos ao comércio e aos investimentos entre os dois países.
Essa visão surge após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O documento aponta práticas brasileiras como “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”, justificando a proposta de tarifas retaliatórias.
Embora a decisão final sobre as tarifas ainda esteja em debate, a Amcham enfatiza a necessidade de esforços diplomáticos urgentes. O objetivo é evitar um cenário de tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano, em comparação com concorrentes de outras nações. Conforme informação divulgada pela Amcham, o relatório não é final e ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas.
Esforços diplomáticos são cruciais para evitar tarifas
Abrão Neto, presidente da Amcham, destacou em nota a importância de uma solução negociada. “O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirmou.
A situação pode se agravar com a iminente publicação de um segundo relatório americano, focado em importações de produtos elaborados com trabalho forçado. Essa investigação, sob a Seção 301, pode resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil, tornando uma solução negociada ainda mais vital.
Investigação americana mira práticas de comércio e o sistema Pix
A investigação original, iniciada em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, analisa práticas comerciais brasileiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O relatório de 107 páginas aponta problemas em áreas como comércio digital, meios de pagamento eletrônico, propriedade intelectual e acesso a mercado.
Um dos pontos de destaque na investigação é o sistema de pagamentos Pix. O relatório sustenta que o Brasil tem “prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”.
Como resposta a essas conclusões, o USTR propõe a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros, com algumas exceções. Essas exclusões visam proteger setores cruciais para ambas as economias, como café e a indústria aeronáutica, evitando inflação e problemas na cadeia de suprimentos nos EUA. No entanto, setores de manufatura de média complexidade podem ser mais afetados.
Incerteza e fuga de investidores como consequências
O economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, aponta que a discussão sobre o Pix, embora sem efeitos imediatos visíveis, representa um fator complicado para o Brasil. A simples inclusão do tema em pauta pode gerar instabilidade.
Martins também alerta para o aumento da incerteza para investidores multinacionais. A decisão americana surge em um momento de tensões, após os EUA classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Esse cenário pode levar empresas a adiar investimentos, aguardando desdobramentos políticos e econômicos.
É importante ressaltar que o relatório ainda passará por consulta popular e não foi implementado. A permanência dessas medidas dependerá do que for efetivamente aplicado e de como o cenário político brasileiro evoluirá, especialmente após as eleições, momento em que tudo poderá ser revisto.