Mercado ilícito causa perdas bilionárias para a indústria brasileira e exige medidas de combate.

A indústria brasileira enfrenta um cenário desafiador com o avanço do mercado ilícito, que causa prejuízos estimados em mais de R$ 107 bilhões anualmente. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que um terço das empresas industriais foram afetadas por atos ilícitos nos últimos dois anos, resultando em perdas de receita líquida de vendas na casa dos R$ 39 bilhões.

Os impactos negativos vão além da perda financeira direta. Para metade das empresas atingidas, a diminuição da receita bruta é o efeito mais sentido. Em seguida, aparecem a perda de participação de mercado, com 30%, e o aumento nos custos com segurança, com 28% das menções. Esses dados revelam a complexidade do problema e a necessidade de ações coordenadas.

A Sondagem Especial Brasil Legal, realizada pela CNI, detalha os efeitos desse cenário, mostrando que, apesar dos altos investimentos em prevenção, o combate às ilegalidades ainda é um desafio. Conforme informação divulgada pela Agência CNI em 26 de maio de 2026, a indústria busca soluções eficazes para mitigar os danos causados pelo mercado ilícito.

Roubo de carga e produtos não conformes lideram prejuízos

O roubo de carga se destaca como o principal ilícito que afeta a indústria, sendo apontado por 32% das empresas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões em 2025, com uma média de oito caminhões atacados diariamente. Essa modalidade de crime representa um grande obstáculo logístico e financeiro.

Em segundo lugar, com 29% das citações, está a “não conformidade de produtos com regulamentações técnicas”. Essa prática envolve a comercialização de bens que não atendem às normas técnicas, regulatórias ou de segurança exigidas por lei, como a ausência de certificações obrigatórias ou rotulagem inadequada. Esse tipo de concorrência desleal prejudica a indústria formal.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, ressalta que a não conformidade de produtos é um problema significativo para médias e pequenas empresas, atingindo 33% e 26% delas, respectivamente. Ele enfatiza que essas práticas podem trazer riscos aos consumidores e configuram concorrência desleal, impactando negativamente o setor produtivo.

Custos com segurança superam perdas diretas, mas cibersegurança ainda é frágil

Surpreendentemente, os gastos da indústria com prevenção e segurança, como patrimonial e cibernética, equivalem a 1,1% da receita líquida, totalizando um impacto de R$ 68,5 bilhões. Este valor é superior às perdas diretas causadas pelos ilícitos, que chegam a R$ 39,1 bilhões. O investimento em segurança se tornou um custo significativo para as empresas.

Apesar do alto investimento em segurança, Fabrício Silveira alerta para a necessidade de um maior foco em segurança digital. Ele aponta que 77,1% das empresas brasileiras destinam apenas 1% ou menos de seu orçamento para cibersegurança, um percentual baixo diante da crescente sofisticação das ameaças virtuais. A cibersegurança precisa ganhar um papel mais estratégico no enfrentamento das ilegalidades.

Fiscalização e fortalecimento de órgãos públicos são chaves para o combate

Para combater os efeitos do mercado ilícito, 77% das empresas apontam o aumento da fiscalização e do controle como a medida mais eficaz. Além disso, 46% acreditam que investir em ações de inteligência pode ser uma solução, enquanto 36% defendem o endurecimento da legislação. Essas propostas indicam um desejo por ações governamentais mais robustas.

O fortalecimento dos órgãos de segurança pública estaduais, como as polícias Civil e Militar, é visto como prioritário por 41% das empresas, especialmente devido à atuação do crime em mercados locais e vias de transporte. A Polícia Federal (38%) e a Receita Federal (36%) também são citadas como essenciais para o enfrentamento de esquemas estruturados e a defesa de fronteiras, portos e aeroportos.