Operação Eclipse desmantela quadrilha que aplicava golpes usando imagem de criança com doença rara para arrecadar dinheiro via Pix.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Eclipse, visando um grupo criminoso especializado em fraudes eletrônicas. A investigação aponta que os suspeitos criavam falsas campanhas beneficentes na internet para enganar pessoas e obter dinheiro.
A tática utilizada era a exploração da imagem e da história de uma criança de 10 anos, diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne, uma doença rara que requer tratamento de alto custo. A família da criança reside em Capão da Canoa.
O grupo simulava campanhas de arrecadação legítimas, utilizando fotos da criança e detalhes sobre seu estado de saúde para ganhar a confiança das vítimas. Com a ajuda de anúncios patrocinados em redes sociais, eles induziam as pessoas a realizarem transferências via Pix. Conforme a investigação da DPRCC/DERCC, uma dessas campanhas falsas chegou a exibir uma arrecadação superior a R$ 248 mil.
Estrutura Sofisticada para Golpes Digitais
A investigação revelou uma estrutura complexa, com o uso de domínios registrados em servidores localizados fora do Brasil. Essa organização permitia aos criminosos dificultar o rastreamento de suas atividades. Empresas intermediadoras de pagamento também faziam parte do esquema.
A análise financeira identificou uma movimentação expressiva, na casa dos milhões de reais, em contas vinculadas às empresas utilizadas pelo grupo. Essa quantia evidencia a escala do golpe e o alto valor obtido de forma ilícita.
Três Principais Suspeitos Identificados
A polícia identificou três homens como os principais responsáveis pela operação criminosa. Mandados de prisão preventiva foram expedidos contra eles. Um homem de 30 anos, em Curitiba, é apontado como o responsável pela estrutura financeira do esquema.
Em Londrina, outro homem de 30 anos, ligado às empresas usadas na movimentação do dinheiro, também é alvo da justiça. Já em Contagem, um homem de 31 anos é suspeito de ser o responsável pelo registro e manutenção dos domínios usados nos golpes.
Mandados e Bloqueio de Ativos
Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio de ativos financeiros. As ações ocorreram nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, demonstrando a abrangência interestadual da quadrilha.
As investigações da Polícia Civil continuam. O objetivo é identificar outras vítimas que possam ter caído no golpe, assim como outros possíveis envolvidos e determinar a dimensão total dos prejuízos causados por essa cruel exploração da solidariedade.