Flórida marca nona ordem de execução do ano com caso de assassinato infantil que chocou o estado.

Andrew Richard Lukehart, agora com 53 anos, aguarda o cumprimento de sua sentença de morte, programada para 2 de junho de 2026. A decisão foi oficializada pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, que assinou a ordem de execução na última sexta-feira (1º de maio). Este é o nono caso em que DeSantis autoriza a pena capital no estado somente em 2026, reforçando a posição da Flórida como uma das jurisdições com maior aplicação da pena de morte nos Estados Unidos.

O crime que levou Lukehart ao corredor da morte ocorreu em fevereiro de 1996. Na época, o condenado tinha 22 anos e era o responsável por cuidar de Gabrielle Hanshaw, a filha de cinco meses de sua namorada. O caso chocou a comunidade pela brutalidade e pela tentativa de encobrir o ato.

Conforme registros judiciais, a tragédia se desenrolou enquanto Lukehart tentava trocar a fralda da bebê. A criança, com apenas cinco meses, não se mantinha quieta deitada de costas, o que teria levado Lukehart a perder o controle. Em um ato de extrema violência, ele empurrou a cabeça e o pescoço da menina contra o chão repetidamente, causando a morte de Gabrielle.

O plano para encobrir o assassinato e a confissão

Após cometer o homicídio, Andrew Lukehart tentou apagar os vestígios do crime. Ele se desfez do corpo da bebê, jogando-o em um lago próximo à residência. Em seguida, arquitetou uma falsa denúncia de sequestro.

Cerca de 30 minutos após o assassinato, Lukehart ligou para a namorada, alegando que um desconhecido havia raptado a filha do casal e que ele estaria em perseguição ao suposto sequestrador. No entanto, a farsa não se sustentou por muito tempo.

Durante os interrogatórios policiais, Lukehart caiu em contradições. Inicialmente, afirmou que o sequestro ocorreu na frente da casa, mas depois mudou a versão, dizendo que o incidente ocorreu em uma loja. Pressionado por suas próprias mentiras, ele acabou confessando o assassinato de Gabrielle.

O julgamento e a frieza do condenado

Durante o julgamento, a defesa de Lukehart buscou argumentar que suas ações foram motivadas por desespero. Ele declarou aos jurados: “Fiquei com medo, entrei em pânico, corri para fora, joguei a fralda fora, pulei no meu carro, liguei o motor e fui embora.”

A justificativa não convenceu o júri, que, após apenas uma hora e meia de deliberação, o declarou culpado. Um mês depois, em março de 1997, o painel votou por 9 a 3 a favor da recomendação da pena de morte.

Relatos da época descrevem que, ao ouvir a sentença, Lukehart permaneceu com uma expressão fria e imóvel. Em contraste, familiares do condenado demonstraram desespero, com sua mãe deixando o tribunal aos gritos.

O cenário da pena de morte na Flórida e nos EUA

A execução de Andrew Lukehart se insere em um contexto de aplicação rigorosa da pena capital na Flórida. No dia 30 de abril de 2026, o estado executou James Ernest Hitchcock, de 70 anos, condenado pelo assassinato de uma adolescente de 13 anos em 1976.

Dados do sistema penal americano indicam que a Flórida lidera o ranking de execuções no país, seguida por Alabama, Carolina do Sul e Texas. No ano anterior, os Estados Unidos registraram um total de 47 execuções.

O protocolo de execução na Flórida

Na Flórida, todas as penas de morte são executadas exclusivamente por injeção letal. O procedimento envolve a administração sequencial de um coquetel de três drogas: um sedativo para induzir inconsciência, um agente paralisante para interromper a respiração e um composto cardiotóxico para causar a parada cardíaca definitiva.

A execução de Andrew Lukehart encerra um capítulo judicial que se estende por três décadas, marcando o desfecho para um dos crimes infantis mais chocantes que abalaram a comunidade local nos anos 1990.