Europa precisa assumir a própria segurança, diz ministro alemão após anúncio de retirada de tropas americanas

Em resposta ao anúncio dos Estados Unidos de retirar 5 mil soldados da Alemanha, o Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou neste sábado (2) que os europeus precisam assumir uma responsabilidade maior por sua própria segurança. A declaração surge em meio a tensões diplomáticas entre os dois países.

Pistorius destacou que a Alemanha está no caminho certo para fortalecer sua defesa, com expansão das Forças Armadas, agilização na aquisição de equipamentos e investimentos em infraestrutura. A decisão americana de reduzir seu contingente militar na Europa é vista como um reflexo da necessidade de maior protagonismo europeu na segurança continental.

A OTAN, por sua vez, declarou estar trabalhando com os Estados Unidos para compreender os detalhes da retirada de tropas. A porta-voz da aliança, Allison Hart, ressaltou a importância de a Europa continuar investindo em defesa e assumir uma parcela maior da responsabilidade pela segurança compartilhada, algo que já tem mostrado progresso desde a cúpula da OTAN em Haia, onde os aliados concordaram em investir 5% do PIB em defesa.

EUA anunciam retirada de 5 mil soldados da Alemanha

Os Estados Unidos informaram nesta sexta-feira (1º) que irão retirar 5 mil soldados da Alemanha. A medida é interpretada como uma retaliação a desentendimentos diplomáticos recentes entre o presidente americano Donald Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz. A Alemanha é um ponto estratégico para as forças americanas na Europa.

O Pentágono confirmou que o processo de retirada deve ser concluído em até 12 meses. Segundo um alto funcionário do Departamento de Defesa, uma brigada de combate será retirada do país, e um batalhão de artilharia de longo alcance que seria enviado este ano não o será mais. Essas ações são uma resposta a declarações alemãs consideradas “inapropriadas e pouco úteis”.

A redução visa trazer o número de tropas americanas na Europa para níveis próximos aos anteriores a 2022, antes do reforço militar ordenado em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. A Alemanha abriga atualmente cerca de 35 mil militares americanos em serviço ativo, servindo como principal base e centro de treinamento dos EUA no continente.

OTAN reforça necessidade de investimento em defesa europeia

A porta-voz da OTAN, Allison Hart, enfatizou que a decisão dos EUA ressalta a necessidade de a Europa investir mais em sua própria defesa. Ela mencionou que os aliados já concordaram em destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para gastos com defesa, um compromisso firmado na cúpula da OTAN em Haia no ano passado.

Hart expressou confiança na capacidade da aliança de manter a dissuasão e a defesa, mesmo com a realocação de forças. “Continuamos confiantes em nossa capacidade de garantir a dissuasão e a defesa à medida que esse movimento em direção a uma Europa mais forte dentro de uma OTAN mais forte avança”, declarou.

Contexto diplomático e possíveis retaliações

As tensões entre EUA e Alemanha se intensificaram após declarações do chanceler alemão Friedrich Merz sobre as negociações de paz em um conflito, que foram criticadas por Donald Trump. Em resposta, Trump insinuou a possibilidade de retirar tropas não apenas da Alemanha, mas também de outros países europeus como Espanha e Itália, caso não demonstrem maior apoio a ações militares americanas.

A Alemanha permitiu o uso de suas bases militares para ataques contra o Irã, uma ação elogiada por Trump. No entanto, Espanha e Itália adotaram posturas mais restritivas, com a Espanha fechando seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas em operações de guerra e a Itália negando o uso de uma base aérea na Sicília. Relatos indicam que Trump avalia transferir tropas para países que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia, e cogita fechar bases militares americanas na Europa.