Santander Brasil projeta retorno à alta rentabilidade e lucro expressivo em 2024
O Santander Brasil demonstra otimismo quanto à retomada do crescimento da sua rentabilidade e projeta alcançar o maior lucro líquido anual desde que Mario Leão assumiu a presidência-executiva do banco em 2022. A confiança do executivo se baseia em estratégias para impulsionar a operação orgânica e aumentar o lucro antes de impostos sequencialmente.
Apesar de um recuo no Retorno sobre o Patrimônio (ROE) no primeiro trimestre de 2024, que ficou em 16% — ante 17,6% no trimestre anterior e 17,4% um ano antes —, Leão assegura que a tendência para o ano é de crescimento. O lucro antes de impostos no primeiro trimestre apresentou alta de 5,4% em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 4,6 bilhões.
Mario Leão, em sua última coletiva de imprensa como CEO antes de deixar o banco até o final de julho, reafirmou a segurança na meta de ROE de 20% para 2028, classificando-a como “totalmente factível”. O executivo também revelou que o banco trabalha para atingir esse patamar antes do prazo estipulado.
Crescimento da Rentabilidade e Metas Futuras
O recuo do ROE no início do ano foi atribuído à queda do lucro líquido, impactado pelo aumento no pagamento de impostos, enquanto o patrimônio líquido cresceu. No entanto, Leão está confiante na trajetória ascendente da rentabilidade ao longo de 2024, impulsionada pelo crescimento da operação orgânica e pela elevação sequencial do lucro antes de impostos.
A meta de ROE de 20% para 2028 é vista como alcançável, e o banco já trabalha para antecipar esse resultado. O executivo destacou que o Santander Brasil está focado em expandir sua atuação em pequenas e médias empresas, mantendo cautela e monitorando de perto grandes corporações com questões pontuais.
Estratégias de Crédito e Foco em Segmentos
A perspectiva de uma desaceleração no ritmo de queda da taxa Selic não deve impactar significativamente as provisões para calotes (PDD) do Santander Brasil. O banco espera que a PDD acompanhe a expansão da carteira de crédito, com possíveis elevações em alguns portfólios específicos. A carteira de agronegócio segue como ponto de atenção, com expectativa de estabilidade.
No segmento de pessoa física, o Santander Brasil intensifica o foco em alta renda, ao mesmo tempo em que realiza uma redução “cirúrgica” em clientes de baixa renda, especialmente aqueles com um ou dois salários mínimos e sem vínculo de folha de pagamento, onde a rentabilização é menor.
Programa de Renegociação de Dívidas e Despedida do CEO
Leão comentou positivamente sobre o novo programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo, elogiando o desenho e o timing, e prevendo maior adesão por ser conduzido pelas próprias plataformas bancárias. Ele refutou a ideia de cunho eleitoral, defendendo o diagnóstico do governo sobre a necessidade do programa.
Ao fazer um balanço de sua gestão, Mario Leão assegurou que o Santander Brasil apresentará um lucro anual maior que em 2021, quando o lucro líquido gerencial foi de R$ 16,3 bilhões. Ele expressou satisfação em ter contribuído para o desenvolvimento e crescimento do banco durante seus cinco anos à frente da instituição, antes de passar o bastão para Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3, até julho.