Aliado de Putin alerta que mundo vive período pré-guerra mundial e cita possibilidade de “apocalipse nuclear”

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, um aliado próximo do presidente Vladimir Putin, declarou nesta quinta-feira (30) que o planeta atravessa um período que antecede uma guerra mundial. Em um discurso em Moscou, Medvedev expressou a visão de que um “apocalipse nuclear” não é apenas uma ameaça distante, mas sim uma “possibilidade real”, enfatizando a necessidade de a Rússia estar preparada para tal cenário.

Medvedev traçou paralelos entre a atual conjuntura geopolítica e os momentos que precederam as duas Guerras Mundiais. Ele acusou a Europa de estar em um processo acelerado de rearmamento, comparando a situação atual à década de 1930, quando houve uma intensa militarização e produção de armamentos no continente. Segundo ele, a Europa estaria, neste momento, repetindo o mesmo ciclo.

O político russo destacou que líderes europeus têm proferido declarações cada vez mais hostis em relação à Rússia, frequentemente afirmando que um conflito é inevitável. “Eles dizem isso todos os dias: ‘Os russos certamente nos atacarão’. (…) Você entendem aonde isso leva. Se dissermos todos os dias que a guerra é inevitável, ela começará”, alertou Medvedev, ressaltando que uma grande quantidade de armas está sendo produzida, alimentando um ciclo perigoso.

Europa em Estado de Rearmamento, segundo Medvedev

Em sua análise, Medvedev reiterou que a Rússia não possui “intenções agressivas” contra a Europa, uma posição que o Kremlin tem defendido consistentemente. Ele afirmou que Moscou foi “forçada” a iniciar o conflito na Ucrânia, argumentando que a ação tinha justificativas plausíveis. Contudo, a retórica europeia, segundo ele, contribui para a escalada das tensões.

Nos últimos meses, observou-se um aumento nos gastos com defesa por parte dos países europeus e da OTAN, em resposta ao que consideram uma ameaça russa. Essa movimentação de rearmamento, conforme Medvedev, é precisamente o que ele descreve como um retorno aos níveis observados antes de conflitos globais anteriores.

Rússia se prepara para um possível “apocalipse nuclear”

Diante do cenário de crescente instabilidade, Medvedev abordou a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial e, consequentemente, de um “apocalipse nuclear”. “Sou frequentemente acusado de usar uma retórica agressiva e de falar sobre um apocalipse nuclear, mas, infelizmente, é uma possibilidade real. Eu realmente não gostaria que isso acontecesse”, declarou. Ele justificou a importância da “tríade de forças nucleares estratégicas” da Rússia como um elemento de dissuasão e preparação.

Medvedev também relembrou que a Primeira Guerra Mundial eclodiu apesar das negociações em andamento na época. Ele descreveu o conflito como um “moedor de carne” e afirmou que a própria Europa se puniu com as consequências da guerra, sugerindo que a história pode estar prestes a se repetir em uma escala ainda maior e mais perigosa.

Preocupações de Inteligência Europeia

Enquanto Medvedev aponta para a Europa como fonte de escalada, relatórios de inteligência de países como Dinamarca e Noruega indicam que a Rússia poderia estar planejando expandir o conflito para além da Ucrânia, possivelmente até 2030. Os países bálticos estariam particularmente vulneráveis a uma ofensiva russa, segundo essas avaliações, criando um quadro de tensão mútua e desconfiança entre as partes envolvidas.