O multicampeão de jiu-jitsu Mica Galvão, de 22 anos, rompeu o silêncio e se manifestou publicamente sobre a prisão de seu pai, Melqui Galvão, investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas. Em uma publicação nas redes sociais, o atleta descreveu o momento como de extrema dificuldade, ressaltando a forte ligação familiar e a necessidade de que a Justiça atue com imparcialidade.
Mica Galvão, conhecido por suas conquistas no esporte, admitiu a complexidade da situação, afirmando ser difícil encontrar palavras para expressar seus sentimentos. Ele destacou o papel fundamental do pai em sua trajetória, lembrando que foi Melqui Galvão quem o introduziu ao mundo do jiu-jitsu desde a infância, ensinando não apenas as técnicas de luta, mas também valores como respeito e caráter.
Apesar do vínculo afetivo, o jovem lutador deixou claro seu posicionamento em relação aos crimes investigados. Ele repudiou veementemente qualquer forma de assédio ou violência, especialmente contra mulheres e crianças, ressaltando que estes são valores inegociáveis em sua vida. Mica Galvão reiterou a importância de que o caso seja apurado com o máximo rigor pelas autoridades competentes.
Jovem atleta espera por justiça e reafirma valores
Em sua declaração, Mica Galvão enfatizou que, como filho, está processando a situação com grande pesar, mas que, como atleta e ser humano, seu compromisso é com a verdade e com os princípios que o regem. Ele assegurou que, apesar do turbilhão pessoal, manterá o foco em suas responsabilidades profissionais e na equipe que representa, demonstrando resiliência diante das adversidades.
A prisão de Melqui Galvão, professor e policial civil amazonense, foi decretada temporariamente pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) após denúncias que apontam para crimes sexuais contra ao menos três vítimas. A investigação ganhou força após o relato de uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, que denunciou atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva no exterior.
Investigação aponta para múltiplos casos e confissão parcial
De acordo com informações da polícia, os denunciantes apresentaram evidências, incluindo uma gravação na qual o investigado, segundo a polícia, admite indiretamente os fatos e tenta negociar uma compensação financeira para evitar que o caso se tornasse público. Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas, relatando episódios semelhantes que teriam ocorrido quando uma delas tinha apenas 12 anos de idade.
Melqui Galvão se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve a prisão temporária cumprida. Paralelamente, mandados de busca e apreensão foram executados em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior de São Paulo. O caso tem gerado grande repercussão na comunidade do jiu-jitsu, e a Polícia Civil continua as investigações para esclarecer a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas.