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Política

Choque de Realidade: 4 em 10 Brasileiros Não Sabem Nomear Uma Mulher Poderosa, Revela Pesquisa do Estúdio Clarice

Choque de Realidade: 4 em 10 Brasileiros Não Sabem Nomear Uma Mulher Poderosa, Revela Pesquisa do Estúdio Clarice

Brasileiros têm dificuldade em identificar mulheres em posições de poder, aponta estudo inédito

Uma pesquisa recente revela uma lacuna preocupante na percepção pública brasileira sobre liderança feminina. De acordo com o levantamento “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizado pelo Estúdio Clarice, **4 em cada 10 brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher que ocupe uma posição de poder**.

O estudo, que entrevistou mais de 2 mil pessoas, também evidenciou que, apesar da dificuldade em nomear figuras de poder feminino, a maioria dos entrevistados compreende o conceito. **Cerca de 96% dos participantes souberam descrever o que significa comandar**, indicando que o problema reside mais na visibilidade e no reconhecimento das mulheres em tais posições.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27), em um evento no Rio de Janeiro, e trazem à tona discussões importantes sobre representatividade e a própria definição de poder na sociedade contemporânea, como aponta a pesquisa do Estúdio Clarice.

Representatividade e o Reconhecimento do Poder Feminino

A pesquisa do Estúdio Clarice, que ouviu 2.036 homens e mulheres em novembro de 2025, mostrou que, quando questionados sobre mulheres de poder, as mais citadas foram a primeira-dama Janja (10,1%), a ministra Carmem Lúcia (6,1%) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (4,8%).

Beatriz Della Costa Pedreira, cofundadora do Estúdio Clarice, destaca que a dificuldade em nomear mulheres poderosas não é apenas uma questão de representatividade, mas também de **reconhecimento social sobre o que é, de fato, poder**. “No fim, a gente descobre que estar no poder não é necessariamente ter poder. A Clarice nasce da pergunta: qual é o imaginário de poder das mulheres brasileiras?”, questiona.

Segundo Beatriz, as mulheres que ocupam espaços de destaque buscam mais do que cargos formais. “Não estamos falando de títulos, mas de transformação. O que queremos são mais mulheres no poder, com poder, transformando o poder”, afirma, ressaltando a busca por **impacto e mudança real**.

Percepções sobre Igualdade e Barreiras Enfrentadas por Mulheres

Quando o tema é igualdade de oportunidades, a pesquisa revela um **abismo entre as percepções de homens e mulheres**. Enquanto 68% dos homens acreditam que existem as mesmas oportunidades para ambos os gêneros, apenas 53% das mulheres compartilham dessa visão. Além disso, 34% dos homens e 21% das mulheres opinam que o lugar da mulher já é reconhecido na sociedade.

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Um dos principais obstáculos identificados pela pesquisa é a **falta de confiança**. Quase 30% das mulheres entrevistadas relataram que a dúvida sobre a própria capacidade é o que mais lhes traz a sensação de impotência. Para se fazerem ser levadas a sério, 1 em cada 3 mulheres afirma ser necessário mudar o tom de voz e esconder a personalidade.

A pesquisa também trouxe um recorte racial importante sobre o comportamento: 28% das entrevistadas brancas disseram cobrir partes do corpo para não serem julgadas, enquanto entre as mulheres negras, esse número sobe para 39%, indicando **diferentes pressões sociais e estéticas enfrentadas por mulheres de distintas raças**.

Atuando no Campo Simbólico para Transformar Narrativas

Mariana Ribeiro, outra cofundadora do Estúdio Clarice, explica que a iniciativa visa atuar no campo simbólico, **disputando narrativas sobre o poder feminino**. “Não adianta apenas remediar o que já existe com políticas públicas ou ações afirmativas, que são importantes, mas é preciso atuar na cultura, na forma como a sociedade pensa”, defende.

Ela argumenta que focar apenas na violência, por exemplo, muitas vezes trata o sintoma, e não a causa. A proposta do Estúdio Clarice é influenciar a produção cultural, como filmes, novelas e podcasts, para **ampliar as referências de liderança feminina**. “É um trabalho mais lento, mas que atua sobre modelos mentais, normas sociais e crenças”, conclui.

O Poder Feminino como Luta por Vida e Liberdade

Rosiska Darcy de Oliveira, imortal da Academia Brasileira de Letras e escritora que participou da pesquisa como especialista, conectou o debate sobre poder feminino à **ampliação de direitos e liberdades**. “Nós não defendemos apenas uma causa, estamos defendendo a nossa vida, a nossa liberdade, o direito da escolha, de cada uma ser quem quer ser”, afirmou no evento de lançamento.

A pesquisa se aprofundou com entrevistas qualitativas com especialistas e protagonistas em 11 setores estratégicos, incluindo esporte, clima, finanças e cultura. A Folha publicará nas próximas semanas perfis de algumas dessas protagonistas, como a cineasta Anna Muylaert e a ativista ambiental Vanda Witoto, buscando **dar visibilidade a mulheres que já exercem poder e promovem transformação**.

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